Depressão nos dias atuais

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Imagem: myriams-fotos / shutterstock

Depressão. Quem já não ouviu falar nela nesses tempos modernos? Segundo dados estatísticos da OMS, cerca de 8% da população mundial padece desse mal. No nosso país isso contabiliza, aproximadamente, 12 milhões de brasileiros.

A depressão é considerada pelo CID-10 (código internacional de doenças – 10ª edição) e pelos manuais de psiquiatria como uma doença no sentido estrito do termo, mais especificamente, classificada como um transtorno afetivo (ou do humor). Pode-se definir depressão como um quadro caracterizado por alterações orgânicas e psíquicas globais, gerando alterações no afeto (significado emocional que atribuímos às nossas vivências) do indivíduo, mudando sua forma de valorizar a vida e de encarar a realidade.

Um estado crônico de depressão gera um sentimento de tristeza profunda, mal estar físico geral, sensação de vazio, perda da capacidade de sentir prazer e, principalmente, falta total de energia. Bem sabemos se tratar de uma doença grave, pois pode levar ao suicídio ou então transformar os dias daquele que sofre desse mal em um verdadeiro inferno em vida.

A depressão é uma condição psicopatológica séria e limitante que carece de diagnóstico e tratamento especializados.

O rótulo “depressão” tem sido frequentemente atribuído a muita gente. Inclusive por profissionais de saúde. Porém é preciso cautela para não confundir um quadro depressivo propriamente dito, com as tristezas e frustrações naturais da vida. Quem já não teve decepções na vida? Quem não se aborrece com frequência? Quem não tem o sentimento de impotência diante dos problemas que brotam aos montes? Aborrecimentos diários, angústia e sentimento de tristeza são frutos de certas contingências da vida, não é mesmo?

Como diria Carlos Drummond de Andrade: estar triste é normal; viver triste, não. É preciso saber diferenciar “estado depressivo” de um “quadro depressivo” (patologia). Então, quais seriam os principais sintomas de uma depressão, propriamente dita?

A presença de alguns sintomas abaixo pode apontar para a existência de um quadro depressivo:

  • Baixa na auto-estima
  • Falta de motivação
  • Pessimismo
  • Desespero
  • Humor depressivo
  • Tristeza profunda
  • Vontade de morrer
  • Ideação suicida (pensamentos constantes em se matar)
  • Pensamento lento e redução do pragmatismo, ou seja, grande dificuldade em realizar as tarefas diárias, por mais simples que pareçam
  • Perda de memória e dificuldade de concentração
  • Mudança no padrão alimentar (comer demais ou comer pouco) e consequente alteração do peso corporal
  • Mudança no padrão de sono
  • Intensa diminuição da energia vital
  • Cansaço extremo
  • Mal estar físico
  • Perda ou diminuição drástica da libido (interesse sexual)
  • Irritabilidade
  • Crises de choro
  • Isolamento social
  • Em casos graves, quadro psicótico com presença de alucinações e delírios
  • E principalmente, perda da capacidade de sentir prazer (edonia) e do interesse pela vida em geral

Andrew Solomon, em seu livro “Demônio do meio dia”, onde relata sua vivência com a depressão, chega à conclusão de que “o oposto de depressão não é felicidade, é vitalidade”.

Quais seriam as prováveis causas da depressão?

Uma pergunta bastante frequente quando se fala em depressão é se existe um fator hereditário na gênese de um quadro depressivo. Hoje já se comprova a relevância do fator genético como causa e agravante de tais transtornos. Estatisticamente, pessoas que têm um histórico familiar de depressão, estariam mais suscetíveis a desenvolver um quadro semelhante.

Porém você poderia contra argumentar: tal indivíduo desenvolveu a depressão por ter herdado geneticamente essa característica dos seus pais ou por ter sofrido as consequências da convivência íntima de alguém com um quadro depressivo?

As duas coisas, obviamente! O fator hereditário e a interação com o meio externo. Atualmente, fatores genéticos são mais precisamente interpretados como uma “tendência” e não como uma “sentença de morte” imutável.

Hoje já se comprova a relevância dos fatores ambientais e comportamentais como causa e agravante de dos transtornos afetivos. Fatores como estresse, insatisfação profissional, problemas financeiros, insegurança, violência, competitividade, relacionamentos interpessoais conturbados, crises conjugais, entre outros contingentes da vida moderna, podem levar à depressão.

Devemos também diferenciar o chamado transtorno depressivo, propriamente dito, da “depressão reativa” e da “depressão secundária”.

Depressão reativa: pode ser um quadro ocasional, desencadeado por alguma circunstância ou fato traumático ou por altos níveis de stress. Normalmente, após eliminado o fator estressor os sintomas da depressão costumam desaparecer depois de dias ou semanas. Especificamente, nos casos de stress pós-traumático, eles podem ser de tratamento mais difícil e perdurar por um período de tempo maior.

Depressão secundária: é quando os sintomas depressivos são efeitos associados ou “secundários” de uma doença principal como uma esquizofrenia, o mal de Parkinson, derrames, distúrbios hormonais (ex: tireoide), abuso de álcool e outras drogas, uso prolongado e/ou indevido de certos medicamentos, pós parto, etc. Nestes casos, a depressão é considerada uma “co-morbidade”.

O que devemos fazer diante de um quadro depressivo?

Sabemos que para as frustrações naturais da vida não há remédio! A não ser enfrentá-las e aprender com tais experiências. Negá-las seria deixar passar uma ótima oportunidade para amadurecer crescer.

Nesses casos, a medicação pode até mesmo atrapalhar. Pois junto com  o estado depressivo (diferentemente do quadro depressivo, conforme salientamos acima) costuma vir, também, um estado reflexivo, gerador de transformações e mudanças.

E para a depressão existe remédio, ou seja, há “cura” para a depressão?

Embora o quadro depressivo seja bastante complexo, há possibilidade de remissão ou controle da maioria dos sintomas em grande parte dos casos.

Nesse sentido, por se tratar de um quadro bem amplo como vimos, necessita de uma abordagem igualmente ampla. Isso significa interação e comprometimento do paciente, dos seus familiares e dos profissionais de saúde envolvidos.

Principais tratamentos utilizados na atualidade:

  • Medicação
  • “Eletroconvulsoterapia”
  • “Estimulação Cerebral Profunda”
  • Psicoterapia
  • Mudança Comportamental

Outro fator importantíssimo é que as técnicas e ferramentas utilizadas pelos diversos profissionais (medicamentos, psicoterapia, acupuntura, atividade física) devem ser adequadas à realidade individual de cada um, especificamente.

Também não podemos deixar de ressaltar a importância para o bem estar mental que tem a interação social e emocional com as pessoas mais próximas a você. Principalmente seu cônjuge, familiares, amigos e líderes espirituais. Fale mais sobre suas emoções… reprimir sentimentos gera doenças!

Porém, não deixe de procurar ajuda médica e psicológica se for preciso. E rápido… Quanto mais precoce o diagnóstico, melhor o prognóstico! Não tenha medo de ser feliz, muito menos perca a esperança. Caso seja necessário, procure o aconselhamento de profissionais de sua confiança.

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Augusto Goldoni
Augusto Goldoni é psicanalista, consultor e escritor. Há 20 anos atuando na área de “promoção de saúde” e “relações interpessoais”, desenvolvendo ações preventivas em diversas empresas pelo território nacional com várias obras publicadas, entre elas “O vício: um tormento – como se livrar das drogas”, “Estresse: como transformar esse terrível inimigo em aliado”, “A arte dos relacionamentos saudáveis e duradouros”, “Saúde financeira – como equilibrar suas finanças e sua vida” e “Viver bem: motivado” e “Atravessando os vales da Depressão – 40 passos para retomar o entusiasmo pela vida”.

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