A impoderabilidade da vida

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Imagem: Boboshow / Shutterstock

Sempre costumo dizer que a vida não traz garantias, mas vivenciei isso de maneira inconteste.

Imaginem um condomínio onde só moram casais jovens de até no máximo 50 anos. Filhos pequenos entre 2 e 13 anos no máximo. Vivem com os olhos no futuro. Sonhando com os mesmos horizontes, apesar da crise que esta brava.

Batalharam, estudaram, trabalharam duro para terem suas próprias casas. Escolheram a decoração a dedo, jardinagem de revista, sonharam ver as crianças crescerem naquele paraíso, protegidas pelo menos em parte da crueza do mundo.

Daí, num país como o nosso, em pleno outono, caminhando para o inverno, com temperatura mais pra frio, vem uma tempestade magnética com um tornado e destrói tudo.

Não só aí neste Galleria Boulevard, mas no Shopping Galleria, Gramado, Taquaral etc…

Tornado em Campinas, podem imaginar? Pois tivemos e faz um ano.

Nada de rio perto, nem local de risco. Tudo nos conforme, como manda o figurino, pois são bairros diferenciados.

Aqui do meu apartamento, no Cambuí, fiquei estarrecida com os raios e trovões seguidos, sem pausa; como uma metralhadora disparando rajadas de tiros numa guerra.

Tive medo do desconhecido, nosso pior inimigo.

Nossa vida é efêmera demais, e tenho cada dia mais convicção que planos pro futuro são loucuras.

Nem sabemos se teremos futuro.

Convenço-me, então, que a felicidade é feita de momentos. Que a certeza é só do hoje, e que a Palavra de Deus, lá em Provérbios – o livro da sabedoria – nos adverte:

“A vida e como a moinha que o vento espalha”.

Ou ainda; “Basta a cada dia o seu mal…”

Viver. Viver? Viver!

Sempre uma questão de escolhas. E estas, não há quem possa fazê-las por nós.

O que sei é que a vida é curta demais. Não cabem dentro dela, todos os sonhos que sonhamos.

Entre o que temos e o que queremos, há uma linha que se perde nas entrelinhas da tessitura da vida.

Só uma certeza podemos ter; tudo caminha para um fim, e o meio não tem o tamanho de tempo de que precisamos para ser feliz, ou realizar nossos desejos.

Só uma coisa nessa vida é certa; Deus está na vida que temos e não na que queremos ter, e só sente Deus quem tem amor. Quem ama a vida louca, doida, doida do jeito que ela se nos apresenta.

O amor e Deus habitando entre nós.

…”O resto passa e seca como a erva do campo”.

Felizes dos que encontram Deus no amor. Sua forma entre os homens.

Um sopro da natureza apaga todos os vestígios de vida, pelo menos da que nos iludimos que temos e que é nossa.

Imagine, um louco com o Donald Trump com o botão detonador nas mãos…

Essa vida, tão bela, tão alegre, tão triste, tão companheira e algumas vezes tão mesquinha, tão mãe e tão madrasta; já estão dizendo (e são pessoas que costumam saber o que dizem) é um jogo simulado, uma simulação de alguma coisa que não compreendemos; pelo menos por enquanto.

Deus nos proteja…

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Ercília Pollice
Ercília Ferraz de Arruda Pollice reside em Campinas, é formada em Letras pela USC – Bauru, bacharel em Literatura Portuguesa. Escritora, conta com 10 livros publicados, entre eles livros infantis e juvenis, além de inúmeras crônicas e poemas. Integra a Academia Campineira de Letras e Artes e Academia Bauruense de Letras. Foi indicada para o Prêmio Jabuti pela autoria do livro infanto–juvenil “Só, de vez em quando” da Editora FTD. Ercília também é artista plástica catalogada no Cat. Júlio Lousada. Aquarelista, já realizou dezenas de exposições individuais e coletivas em diversos salões e galerias, inclusive em Paris.Alegre, de bem com a vida, adora relacionar-se. Sua preferência é escrever sobre relacionamentos em todas as áreas e níveis. Também tem uma queda por comentar fatos políticos e suas implicações, sempre com bom humor e alguma ironia.Poeta, fala só do amor. Quando escreve faz pinturas de palavras, sua arma maior. Quando pinta faz poemas de cores.Tem 3 filhos, escreveu vários livros e já plantou centenas de árvores. Agora, é desfrutar os bons momentos que a vida sempre oferece àqueles que tem olhos e ouvidos para ouvir e entender estrelas.

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