Ele não é mais um bebê

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Tom e Márcia

Nada do que eu vou falar aqui é novidade para as mamães. Algumas vão me achar exagerada, outras vão entender bem o que eu quero dizer, mas eu sei que é uma experiência única e só minha o que estou começando a sentir agora.

O Tom fez dois anos. Na sua última consulta à pediatra, ela já falou para suspender o leite materno e indicou um leite para dar para ele no copinho. Afinal,  ele não é mais bebê para tomar leite na mamadeira, segundo a médica.

Ela também falou que é para deixa-lo andar -nada de pegá-lo no colo para subir ou descer escadas – e estimular cada vez mais a sua independência. Fez o seu primeiro exame de sangue e de urina e eu quase morri por vê-lo sofrer. O que é normal, também!

Eu sabia que esse dia chegaria e que ele não será um bebê a vida toda. Mas eu sei, também, que para uma mãe um filho será sempre o seu bebê! Lembro da minha mãe falando para o Tom quando ele nasceu:

– Você é o bebê da sua mãe e ela é o meu bebê!

Chorei escondido ao ouvi-la falar isso. Hoje até me questiono porque eu fiz isso em vez de abraça-la e mostrar que senti o seu enorme carinho. Mas eu confesso que estava confusa, o Tom estava tendo crises de cólicas horríveis – sofreu até os quatro meses e uma semana – e eu, apesar de estar esgotada e com medo, queria me mostrar muito forte.

Não vou impedir o Tom de voar longe, mas senti uma dorzinha e uma insegurança danada depois que saí da pediatra.

– Como assim ele não é mais um bebê? – Andei o caminho todo de volta para a casa repetindo as palavras dela na minha cabeça.

– Ela não sabe o que fala! – continuei.

Tom será uma criança que nunca mamou na mamadeira. Ao contrário de mim. Quando eu nasci, minha mãe teve hemorragia e precisou ficar internada durante 10 dias. Meu pai, um policial militar grosseirão, mas muito coruja, não deixou que minhas tias cuidassem de mim. Tirou licença e ficou em casa me alimentando com leite de saquinho. Quando minha mãe voltou para casa, eu não aceitei o peito e continuei tomando “leite de gente grande”. E sobrevivi.

Fiz questão de amamentar o Tom com leite materno até os dois anos – ele continua mamando porque está difícil a sua adaptação com o outro leite. O que eu posso dizer é que ele é uma criança sadia, cheia de vida e tem um apego muito forte comigo. Estou aproveitando esse momento com toda a delicadeza que ele me permite, porque sei que um dia ele não vai querer a mãe por perto. Terá vergonha de abraços, beijos e qualquer demonstração de carinho.

E eu sei que isso vai acontecer e é normal porque já passei por isso! E questionava tudo o que os meus pais me falavam…

Para completar o meu “choque de realidade”, me ligaram da creche chamando o Tom para começar a estudar no período integral. Já falei aqui que trabalho home office e que o acompanho o dia todo. Imaginem o meu coração! Até chorei! Sou exagerada, emotiva e não tenho vergonha de assumir isso!

Tom está crescendo e ficando cada vez mais independente. Começou a falar e, pelo visto, será um tagarela como a mãe. Por ser simpático e conversar  com todo mundo, acredito que não terá dificuldades para fazer novos amigos na escola.

Acho que estou mais ansiosa do que ele nessa fase de transformação. Com certeza ele vai gostar de ter mais amigos por perto durante a maior parte do dia, enquanto a mãe talvez nem consiga escrever as suas matérias direito pensando se ele está se divertindo, comendo, se tomou água…

O que fica para mim é a certeza de que o Tom está crescendo, virando um garoto lindo, adorável e arteiro. Sei que vou estranhar e sentir cada fase da vida dele, mas sei, também, que vou tentar curtir tudo da melhor forma. Vou chorar em vários momentos? Com certeza! Como dizem alguns amigos, choro assistindo comercial de margarina e em inauguração de supermercado…rs.

Mas, como dizia o poeta Vinícius de Morais, adaptando um dos seus poemas mais famosos à maternidade, “De tudo ao meu amor serei atento/Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto (…)/quero vivê-lA em cada vão momento/ E em seu louvor hei de espalhar meu canto/E rir meu riso e derramar meu pranto/Ao seu pesar ou seu contentamento…

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Márcia Rodrigues
Márcia Rodrigues é jornalista mãe do Thomas, que ela chama carinhosamente de Tom, e dos filhos de quatro patas Bia, Bel e Bob, o famoso BBB da região central de São Paulo. Especializada em economia, com foco, principalmente, em empreendedorismo, teve a vontade de escrever sobre comportamento, depois da maternidade.

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