10 alertas para pais e educadores sobre o jogo Baleia Azul

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Imagem: Digital Designer / Shutterstock

O jogo Baleia Azul e a série 13 ReasonWhy que abordam o suicídio.

Um jogo – Blue Whale (Baleia Azul), que já tirou a vida de dezenas de adolescentes na Europa; uma série – 13 ReasonWhy, e o mesmo tema polêmico -suicídio de jovens. Tanto o jogo quanto a série viraram tema de conversa entre seus alunos, e a equipe de coordenação, preventivamente, planejou uma cartilha onde traça 10 sinais de alerta sobre indícios de que algo esteja errado com o jovem. Também vai promover palestras que serão disponibilizadas em todas as suas unidades, com especialistas na área. As ações serão direcionadas para professores da rede, alunos e pais e visam orientá-los e conscientizá-los sobre o tema.

O alerta veio de uma das coordenadoras da Microcamp, Cristiane Brito Farias, depois de ver alunos, no grupo de turmas, postando fotos de jovens com cortes, mutilações e desafios. “Me chamou a atenção também a naturalidade com que esses adolescentes e jovens falam sobre e mutilação e suicídio”. Ela lembra o caso de uma aluna que chegou a comentar que tinha vontade de se suicidar, motivada por brigas com a mãe e incentivada pela série. “A série foi produzida por um ídolo juvenil (Selena Gome), tem um apelo muito forte, uma protagonista com o qual os jovens se identificam – a atriz Katherine Langford- e eles acabam se influenciando.”

Em relação ao Jogo da Baleia, os alunos estão comentando como se fosse um jogo sem consequências, sem perigo, “o que acabou nos preocupando também porque são adolescentes com 12, 13 anos”.

Para o coordenador geral de cursos da Microcamp Helder Hidalgo, que também é psicólogo, o jogo e a série são preocupantes porque abordam um problema sério no Brasil que é o suicídio de jovens, mas ainda é considerado tabu e por isso é pouco discutido. Estudos mostram que no mundo, a morte por suicídio já é mais frequente que por HIV entre os jovens. No Brasil o número de pessoas que se suicidaram perde apenas para homicídios e acidentes de trânsito.

“Por estar ligado ao nosso público alvo, que são adolescentes e jovens que usam frequentemente a internet e gostam de jogos, esse assunto começou a aparecer entre nossos alunos e como uma rede voltada para a educação e capacitação de jovens, precisávamos agir rapidamente criando ações de conscientização para os professores, alunos e pais. Assim, vamos realizar debates em sala de aula e palestras com especialistas”, explica Hidalgo.

10 alertas sobre o jogo e a série

  1. Preste atenção se o jovem sabe do que e trata o jogo e seus perigos. Converse com o jovem sobre o assunto. Na adolescência é comum que os pais sejam excluídos da vida social de seus filhos, entretanto, é fundamental ter um diálogo dentro de casa, entender qual é a necessidade do jovem no momento. “Nessa conversa pode ser percebido um pedido de ajuda”, pondera.
  2. Ficar atento ao comportamento dos jovens, prestando atenção se há alguma mudança significativa. “Jovens comunicativos podem ser tornar quietos, tímidos. Outros que são calmos podem se tornar ansiosos. É sinal de algo mudou”.
  3. Atenção nas atividades dos jovens na internet. Procure saber o que o jovem está acessando, o que está jogando, com quem, se aceitou convites de desconhecidos. “Pode parecer invasão de privacidade, mas é um cuidado que pais e educadores devem ter, principalmente quando se lida com menores de 12, 13, 14 anos que é a maioria de nosso público, e que são alvo principal dos “curadores” ou seja, pessoas que controlam o jogo.
  4. Verificar se o jovem usa manga comprida mesmo em dia quente. “Esse é um procedimento comum do jovem para esconder as mutilações”.
  5. Verificar se há marcas pelo corpo. “E se tiver, pergunte o que aconteceu”.
  6. Atentar para o rendimento escolar. Os pais mas principalmente os professores, podem observar isso e procurar saber o motivo. “Faltas, desinteresse em sala de aula, notas baixas são sinais de alerta”.
  7. Perceber se há isolamento e sinais de tristeza. Quando o jovem começa a evitar a convivência em grupo e prefere ficar só, pode se sinal de problema, uma depressão, por exemplo. “E a depressão é um importante motivo que leva ao suicídio”.
  8. Notar se há agressividade. A adolescência é a fase da contestação, porém, contestar é uma coisa, ser agressivo é outra.
  9. Atentar para os temas das conversas dos jovens. “Não só para o tema, mas a forma como o assunto é tratado. Adolescentes que veem normalidade no ato do suicídio, não é normal “.
  10. Se notar alguma alteração, professores e pais devem conversar com o jovem e procurar ajuda profissional. Fingir que nada está acontecendo, ou que é algo passageiro é o pior que pode acontecer. “Existem experiências na adolescência e juventude que acarretam danos para a vida adulta”.

O jogo

Em Blue Whale (Baleia Azul) adolescentes são convocados para grupos fechados no Facebook e no WhatsApp, e devem cumprir 50 desafios pré-estabelecidos por curadores, que são pessoas que comandam o jogo. Entre as tarefas, estão mutilar os braços com facas, assistir filmes de terror na madrugada e, na tarefa final, cometer suicídio.

Iniciado na Rússia entre 2015 e 2016, o “jogo da Baleia Azul” (Blue Whale) está supostamente ligado a uma série de suicídios em todo o mundo. Isso porque ele busca causar danos emocionais aos participantes.

A série

“13 ReasonsWhy” (Os treze porquês) gira em torno de uma estudante do ensino médio, que se mata após uma série de agressões sofridas dos colegas no ambiente escolar. Antes de tirar a própria vida, ela grava fitas de cassete explicando para treze pessoas como elas desempenharam um papel na sua morte e as motivações que a teriam levado ao suicídio: bullying, violação da privacidade, assédio, incompreensão, estupro.


Cristiane Brito Farias é coordenadora da Microcamp, unidade Campos Sales, em Campinas. Helder Hidalgo é psicólogo e coordenador geral de cursos da Microcamp. A Microcamp é a principal rede de escolas de informática e inglês no Brasil, com 75 unidades espalhadas por todo o país. Oferece os principais cursos na área, desde o básico de informática, passando pelo Hardware, Web Design, TI e o mais recente de Desenvolvimento de Games.

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