Por que ficar com o papel de amante?

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Casal abraçados
Imagem: takazart / shutterstock

Aparente segurança e independência afetiva pode esconder medo de sofrer numa relação convencional. O papel de amante guarda um quê de amor platônico, afinal, ainda que seja uma relação vivenciada no mundo real, possui esse caráter incompleto, dividido, não exclusivo, representado pelo namoro ou casamento em que o outro está.

Lógica do Amante é a mesma do pessimismo

A necessidade de um amor concreto obviamente nos atrai para vivê-lo, porém, inseguranças pessoais como medo de rejeição e abandono nos impulsionam a fugir das relações, criando uma batalha entre forças contrárias dentro de nós: o desejo genuíno do amor e o medo de nos entregarmos a ele. No entanto, mesmo com medo e vontade de fugir da rejeição, vivenciamos justamente uma situação que nos coloca mais perto daquilo que tememos.

Nos sentíssemos mais confiantes ao entrarmos preparados para o pior – afinal, se algo ruim acontecer, pelo menos nós já esperávamos por isso, de alguma forma. Um exemplo no âmbito material seria uma enorme vontade de ter mais dinheiro, mas escolher a opção de ter pouco, pelo medo de perdê-lo ou não conseguir conquistá-lo.

Baixa autoestima e convenções sociais enfraquecem o desejo de viver um amor plenamente

A baixa autoestima pode nos fazer duvidar de nós mesmos, da nossa capacidade e do merecimento de viver uma relação afetiva plena. Carregamos muitas crenças que surgem quando testemunhamos traições, que por sua vez desencadeiam as convenções sociais “homem não presta”, “casamento é uma prisão”, “relacionamentos são pesados e problemáticos” e “amor é sofrimento”, entre muitas outras que vão se acumulando em nós.

Trabalhar a autoestima e poder pessoal ajuda a vencer o medo e a autosabotagem

Achamos que o que nos aprisiona é o triângulo amoroso, mas o que realmente nos prende é o medo, construído por memórias negativas que geram padrões de comportamento, superar esses medos. E enquanto não fizermos isso, nossa vida nos trará justamente situações que nos confrontem com eles, nos desafiando a encará-los e vencê-los. Tudo depende da nossa consciência e escolha diante das situações. Ou seja, não será por falta de oportunidades que não seremos felizes!

Para harmonizar a vida afetiva é preciso perceber quais são os medos, inseguranças e crenças que podem estar levando a viver o aprisionamento no triângulo amoroso.

Um bom exercício para isso é fazer um trabalho de detetive de nós mesmos. Podemos descrever, delinear e mapear o relacionamento atual e os anteriores, como costumamos agir, nos sentir e pensar ao vivenciar as relações afetivas. É importante também descrever nossa relação com a mãe, com o pai e a maneira como enxergamos a relação afetiva dos pais. Isso pode ajudar a elucidar como se formou nossa estrutura e dinâmica afetivas e o quanto ela foi moldada pelo contexto familiar. Este esclarecimento será um primeiro passo no caminho de harmonização. Para aprofundar essas percepções, a orientação terapêutica pode ser de grande ajuda. Que tal começar?


Katia Horpaczky é psicóloga na Roda da Vida. https://www.facebook.com/RodaDaVidaConsultorioDePsicologia/

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