Relações humanas: há algum tempo tenho minha atenção para o olhar no ser humano em lugares públicos como bares, restaurantes, aeroportos e até outros países. Isso me fez perceber a beleza e as semelhanças em pessoas tão distantes, que nem conheço e, ao mesmo tempo, tão iguais no olhar, no andar, no sorriso, no pegar a mão de outra pessoa, nas expressões de alegria, preocupação ou afetividade.

Tenho me prendido a esta observação e percebo que, apesar das diferenças nas perspectivas, somos iguais na busca.

As necessidades universais são as mesmas para todos e se constituem na base do reconhecimento da nossa existência. Ser ouvido, visto e reconhecido são padrões por onde conseguimos nos perceber e receber a informação de que pertencemos a um grupo que nos dá referência.

Ao satisfazer estas necessidades, nos validamos como seres humanos, o que nos dá a sensação e o sentimento de pertencimento e existência.

Aprendemos e adquirimos muitas experiências na arte de conviver e muitas atendem a nossa necessidade de validação humana. Já outras nos proporcionam aprendizados de mecanismos de sobrevivência e defesa.

Algumas experiências nos aproximam da nossa essência Universal, humana e bela. Outras nos dividem em partes que julgam a si mesmo e ao próximo. Isso nos coloca em posições de juízes ou vítimas das circunstâncias da vida, onde nos sentimos, às vezes, poderosos e superiores aos nossos semelhantes ou inferiores, dependentes e pedintes da atenção.

Ainda devido às experiências e aprendizados da vida, às vezes defendemo-nos de reconhecer nossos sentimentos e desenvolvemos posturas duras, insensíveis, parecidas com máquinas que não sentem, apenas processam informações e não reconhecem o humano por trás de comportamentos e manifestações.

Temos, ainda, pessoas que, de alguma forma, se tornam distraídos. Parecem borboletas que voam, estão sempre pulando de um lado para o outro, mas não conseguem criar vínculos e laços de relacionamento com o outro. Isto também é fruto de aprendizado de defesa do contato humano, que protege e busca evitar as possíveis dores na difícil arte de conviver, como diria o poeta Carlos Drumond de Andrade. O indivíduo busca satisfação em coisas externas, um novo relacionamento, objeto de desejo, viagem, etc. Mas a essência é que fica borboleteando como se fosse um pássaro na vida.

Olhar tudo isso e reconhecer a beleza e a busca humana universal de ser feliz e encontrar seu lugar no mundo é realmente desafiador. É um convite para substituir o nosso chapéu de juiz pelo de detetive e buscar a caixa de tesouros que cada ser humano tem dentro de si, que pode ser manifestada através da expressão das suas potencialidades nos relacionamentos pessoal, afetivo e profissional.

Eu comparo este trabalho ao de um arqueólogo que busca na sua escavação encontrar o tesouro perdido de uma civilização, o elo entre a origem de quem somos e o que nos tornamos.

Somos originalmente seres brilhantes, com todos os recursos e potencial para realizar o que necessitamos, semelhantes e diferentes ao mesmo tempo no aprendizado e na forma de manifestar esta individualidade.

A Virginia Satir, terapeuta, pensadora e influenciadora das grandes correntes de desenvolvimento humano da atualidade, dizia que nos encontramos nas semelhanças e crescemos com as diferenças. Esta é uma verdade universal que impulsiona para a renovação de crenças e aprendizados e à aquisição de novas formas de viver em direção a nossa integridade.


Eunice Brito é psicóloga, Consultora, Coach, fundadora da Semilla Treinamento Empresarial e uma das organizadoras da Formação no Modelo de Validação Humana Virginia Satir no Brasil. www.semilla.com.br

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