Dieta Cetogênica: 3 mitos e 3 verdades

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Mulher olhando cardapio
Imagem: stocksnap / shutterstock

O que é real e o que é mentira sobre a dieta Cetogênica.

Transformada em assunto do momento, a “dieta Cetogênica” ganha cada vez mais adeptos. Segundo Rodrigo Polesso, que é Especialista em Nutrição Otimizada para Saúde e Bem-Estar, trata-se de uma forma de se alimentar repleta de benefícios e vantagens. No entanto, ele alerta para que seja abandonado o conceito de “dieta temporária”. “Muitas pessoas pensam em passar alguns dias ou semanas com uma alimentação específica, e depois ‘voltar ao normal’.

Mesmo assim, a chamada dieta Cetogênica é cercada de mitos e informações confusas. Por isso, Polesso lista 3 mitos e 3 verdades sobre o estilo de vida – e explica por que é possível emagrecer com base nessa alimentação.

Mito 1: Dieta Cetogênica exige consumo zero de carboidrato

A ideia do consumo de carboidratos no nível zero é praticamente impossível. “Seguir uma dieta Cetogênica significa reduzir bastante o índice de carboidratos, mas as verduras e legumes terão alguma quantidade deles”. Caso o modelo de alimentação seja seguido à risca, serão consumidos cerca de 20 gramas de carboidratos por dia. “Isso já vai ser o suficiente para que o corpo entre em estado de cetose”. O que chamamos de cetose é o momento em que o corpo começa a consumir os ácidos graxos, ou seja, a gordura do corpo como fonte de energia, devido à ausência de carboidratos.

Mito 2: Basta comer apenas proteínas

Na verdade, as pessoas não devem ter um consumo exagerado de proteínas. O excesso de proteína pode ser convertido em glicose pelo corpo”. Apesar de exigir uma presença grande de carnes, ovos, peixes, laticínios integrais e frutos do mar, a dieta Cetogênica também conta com a presença de alimentos como legumes de baixo índice glicêmico, folhas, nozes e castanhas, manteiga, gorduras de boa qualidade (como óleo de coco e azeite de oliva), frutas de baixo índice glicêmico em moderação (como mirtilos, amora e morango), e bebidas como café e chá. “O que aumenta bastante é o consumo de gorduras saudáveis de origem animais e vegetal, um macro nutriente que, ao contrário das crenças de tanta gente, não engorda”.

Mito 3: É uma dieta complexa de seguir

Na verdade, não há complexidades para seguir este tipo de alimentação. “De forma geral, basta restringir o consumo de carboidratos, alimentos industrializados e refinados, e consumir alimentos verdadeiros”. Mesmo assim, é importante ter o aval de um profissional. “Acredito que toda pessoa, antes de fazer grandes mudanças alimentares, deva consultar um profissional de sua confiança”.

Ainda assim, existe uma desvantagem importante que torna a dieta Cetogênica mais desafiadora: as substâncias comestíveis que encontramos no supermercado. “É desafiador ficar imune a tudo isso e limitar a alimentação, mas com esforço é possível, e depois de um tempo você sente o quanto faz mal consumir produtos industrializados”.

Verdade 1: Qualquer um pode fazer

Não há qualquer tipo de restrição quanto à dieta Cetogênica. “As pessoas que mais se beneficiariam deste estilo alimentar são aquelas que visam perda acelerada de peso, diabéticos e pessoas que sofrem de problemas relacionados a síndrome metabólica”, a importância do acompanhamento médico, especialmente no caso dessas doenças.

Verdade 2: É preciso esperar o corpo “se acostumar”

É importante levar em consideração que o corpo precisa de um período de adaptação quando mudanças bruscas são feitas na dieta. “Muita gente que muda a dieta de repente precisa saber que nas duas semanas seguintes o corpo pode sofrer alguns efeitos depois de tantos anos acostumado a consumir tanto açúcar”. A situação com a abstinência que fumantes sentem quando param de fumar, por exemplo, que exige um tempo para que o corpo comece a se sentir melhor. “Se você não se sentir com energia e disposição no começo, saiba que em breve seu corpo vai se acostumar e se sentir melhor”.

Verdade 3: Não existe risco de ter cetoacidose

O excesso de corpos cetônicos é eliminado na urina, ao contrário do que muitos pregam, e o excesso que causaria a chamada cetoacidose não é causado pela alimentação. “Alguns desses corpos cetônicos que não foram utilizados são liberados na urina”, reforçando que não é preciso ter medo da produção destes elementos. “O conceito da dieta Cetogênica é antigo e comprovado pela ciência”.


Rodrigo Polesso é especialista em Nutrição Otimizada para Saúde e Bem-Estar pela Universidade Estadual de San Diego, Califórnia.

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