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Você quer brincar de…?

janeiro 9th, 2012

Amarílis fumava recostada no sofá, as pernas compridas cruzadas, o V entreaberto. Se estava tímida ou teve medo que o marido caísse na risada, foi como se não.

Pernas cruzadasCarlos e Amarílis estavam casados fazia três anos. Parceria, cumplicidade, a vida andando bem. Tão, que os dois estavam sempre grudados. Íntimos, amigos, devassados do bom que era estar junto. Falavam sobre tudo menos sobre esse perto que, por excessivo, foi lentamente desbotando o vermelho até deixá-lo cor-de-rosa.

Uma tarde Amarílis levou uma cantada na rua.
Vulgarzinha, inofensiva, nada demais, você tem uma bunda de lamber feito sorvete. Ela embraveceu, o cara acelerou a moto, ela esqueceu a braveza e sorriu. Sem mais nem menos, de repente, molhada.

Amarílis quase sentiu culpa, mas ao invés chegou em casa naquele fim de tarde e subverteu a rotina. Não preparou jantar, não ligou para o marido, não lembrou de molhar as folhagens. Tomou um banho demorado, Otis Redding ao invés da TV, as mãos como se descobrissem o corpo pela primeira vez.

Depois aquela saia curta fechada há três anos na gaveta, meias de seda, salto, a blusa decotada que ela adorava e ele odiava porque os seios ficavam assim salientes, apertados, súbitos naquele V.

E só, mais a maquiagem de puta.
Quando Carlos chegou não havia jantar e Otis Redding ainda cantava na penumbra da sala. Amarílis fumava recostada no sofá, as pernas compridas cruzadas, o V entreaberto. Se estava tímida ou teve medo que o marido caísse na risada, foi como se não.

Carlos quase disse qualquer coisa cotidiana quando a mulher falou olá. Mas ela estava estranha e ele respondeu um olá baixinho, de garganta seca. Ela o olhou inocente como aquela vampira adolescente de True Blood – a Jessica – ao contemplar o primeiro pescoço.

– Você quer brincar? – perguntou.

Por Marco Antonio Beck
Eu & Nós

Ah, o amor…

dezembro 10th, 2011

Casal-amorDesde que nascemos, somos ensinados que o amor é lindo, sublime, sensacional, suporta tudo e blá blá blá. Para nós, mulheres, a fantasia vai além: crescemos assistindo a filmes de princesas, nos quais elas encontram o príncipe encantado e são felizes para sempre.

Mas, na prática, a coisa não é assim, tão poética.
Lamento dizer, mas não existe amor incondicional (exceto o amor de mãe, é claro), nem mesmo eterno, se não for muito bem nutrido, diariamente.
Em outras palavras, significa dizer que temos, sempre, de cuidar do nosso amor, se quisermos que ele permaneça vivo até que a morte nos separe.

O amor, portanto, nada mais é que um conjunto de várias outras coisas. Compreensão, amizade, respeito, admiração, companheirismo, altruísmo, dedicação e mais uma imensa lista de substantivos abstratos, que, na prática, fazem toda a diferença.
Amor, meus caros, é o que faz com que ele suporte a TPM dela todo santo mês. É o que faz com que ela recolha, diariamente, os tênis dele da sala, sem ficar resmungando o tempo todo.

Amor é o que o faz compreender que ela precisa de mais sapatos, mesmo tendo os armários abarrotados. E é o que faz com que ela seja compreensiva quando ele não pode lhe dar atenção, porque precisa estudar.
Amor é o que faz com que ele tolere as crises de ciúme dela, e o que faz com que ela engula, por vezes, aquela amiga dele, da qual ela não vai com a cara.

Amor com amor se pagaPor amor, ela o libera de lavar a louça, mesmo sendo o dia dele. E também é por amor que ele aceita acompanhá-la a um show que detesta, só porque ela adora.
Amor é o que faz com que ela aceite que ele nunca vai aprender a abaixar a tampa do vaso. E é o que o faz aceitar mudar de lado na cama, só porque ela quer dormir no canto.

Amor é o que o encoraja a mudar todos os planos, só para vê-la bem. E é o que a faz derramar lágrimas só de pensar no quanto tem sorte por tê-lo ao seu lado.
O amor, portanto, não é fácil. Nem tudo são flores. É cheio de concessões e exceções.
Mas, no balanço de tudo, vale muito a pena. Talvez, seja a única coisa nesse mundo que valha a pena, no fim das contas.

Por: Mayara Godoy
Blog Diário de Casal

Dependência é uma escolha!

novembro 28th, 2011

“Depender é sempre uma escolha pessoal, ainda que involuntária. Nada nem ninguém pode obrigá-lo a depender, somente você pode fazê-lo.”

independenteEssa afirmação, do livro A Escola dos Deuses, de Stefano Elio D’Anna, é chocante num primeiro momento, não? Como isso pode ser uma escolha da gente? Desde a adolescência, vivemos apregoando aos quatro ventos que desejamos ser independentes, donos de nosso próprio nariz. Ou você nunca falou ou pensou em algo assim?

Pois é, aparentemente independência é uma necessidade. Na realidade, porém, é muito comum jogarmos a responsabilidade sobre nossos sucessos ou fracassos em outros. É difícil acreditar que a responsabilidade por nossa vida é inteiramente nossa. Tenho visto isso com uma regularidade impressionante, além de viver, eu mesma esse paradoxo constantemente.

Então, quando pergunto para alguém – ou até para mim mesma – por que uma coisa ou outra ainda não aconteceu – se é considerada importante -, as repostas se assemelham muito. Uma hora a culpa é da falta de dinheiro, outra hora é do filho que precisa de atenção, outra ainda é do chefe que não dá oportunidade, ou da parceira ou parceiro que não entende suas necessidades. É muito fácil dizer que um objetivo que é seu precisa de outros para ser atingido.

Pense comigo em objetivos que você se propôs e ainda não alcançou. Qualquer um, desde o mais simples até o mais complexo, o mecanismo é o mesmo. Pense em todos aqueles atores que aparentemente estão envolvidos. Para que eles façam o que é preciso para ajudá-lo a “chegar lá” é preciso que sejam mobilizados, que tenham seu interesse despertado. E quem é que precisa mobilizá-los? Obviamente que é você, mas nem sempre você tem percepção dessa realidade.

É normal jogarmos aos outros as responsabilidades sobre nossa vida. Em se tratando de fracassos, então, nem se fala, jogar a culpa no outro parece ser a única forma de diminuir a sensação de incompetência e falha. Mesmo nos sucessos, a modéstia e a falta de autovalorização muitas vezes nos faz “entregar” aos outros a autoria das ações.

Então, já que o fim do ano chegou e é a hora de pensar nas famosas resoluções de ano novo, que tal aproveitar e assumir definitivamente a reponsabilidade sobre as ações que teremos no período para atingir objetivos importantes, concretizar sonhos antigos, subir no pódio de campeão da própria vida? Pense nos pontos em que você quer chegar, nos envolvidos e nas atitudes que você tomará para chegar lá, mobilizando pessoas e recursos necessários, mas principalmente definindo que você não depende de ninguém a não ser de você mesmo. Vá ter sucesso e ser feliz! A hora é agora.

Por Maria do Carmo Marini
Executivas e Chiques

Reinventando o Sonho.

novembro 15th, 2011

ceuTrouxe o passado ao presente.
Frágil,
Sonhado,
Esperado.
Os sonhos instantes de outrora,
Fotografados na memória,
Desfeitos no agora,
Transmutou a história.
Recomeçar!!!
Procurar o rosto,
Conhecer o gosto,
Renovar o sentimento…
Esquecido,
Opaco,
Fantasiado.
Preencher a lacuna,
Ilustrar o agora,
Reerguer o afeto,
Interpretar a rasura,
Reinventar o mundo.
Ontem, se perdeu no tempo.
Hoje, se tornou diferente.

Amarilis Pazini Aires

Pequenos detalhes que fazem diferença no seu currículo.

novembro 3rd, 2011

EntrevistaProvavelmente você está satisfeito no lugar onde trabalha, certo de que a empresa também está feliz em tê-lo na posição em que está. Entretanto, nunca podemos ter certeza de que as coisas não vão mudar de uma hora para outra. Mesmo que no momento você não pense nisso, é bom estar preparado para o que der e vier. Longe de mim querer assustá-lo, mas a empresa pode sofrer mudanças na política interna, você pode sofrer algum desapontamento que o empurre para a porta de saída, enfim, de repente se vê na difícil situação de ter que sair para o mercado e buscar outro emprego. Portanto, seja cauteloso, mantenha seu currículo sempre atualizado, seus contatos à distância de um telefonema ou email e terá uma boa parte do caminho andado.

Tratando de currículo, ele não é apenas algumas páginas de informações sobre onde você estudou ou trabalhou, ele precisa mostrar quem você é e do quê é capaz. Ele tem que informar sobre o que você aprendeu não apenas nos cursos que fez, mas principalmente através de suas experiências de trabalho e de vida. Também tem que deixar clara a maneira com que você usou seu conhecimento para trazer benefícios para as empresas nas quais trabalhou.

Você precisa demonstrar que teve e pode ter sucesso ao enfrentar situações novas, deixando claras sua flexibilidade, sua criatividade e sua capacidade de enfrentamento de problemas. É claro que, na entrevista, você terá oportunidade de demonstrar mais efetivamente essas características, afinal, falando, gesticulando, sorrindo, interagindo tudo fica muito mais fácil. Mas, o que vai abrir a porta para sua entrevista é aquilo que você escrever no seu currículo, é o que vai provocar a curiosidade de um potencial contratante sobre a contribuição que você poderá trazer para a nova empresa. Vale a pena ter cuidado!

Esqueça cursos de qualificação que você fez visando somente melhorias momentâneas numa empresa, mesmo que isso tenha lhe trazido um ou outro ganho de salário ou posicão. Ressalte aqueles que contribuiram claramente para a evolução coerente da sua carreira, pois é importante que suas iniciativas de obtenção de mais conhecimento estejam dentro de uma lógica de evolução. Evolução profissional e pessoal, não se esqueça.

Se você fez cursos de pós-graduação, MBAs, mestrados ou doutorados, lembre-se que eles só vão ajudá-lo a conseguir uma posição melhor se forem parte de um conjunto que inclui, principalmente a habilidade de utilizar o conhecimento adquirido. As empresas esperam que você traga melhores resultados para elas com esses diferenciais de qualificação. Mostrar que você fez cursos extras, especialmente aqueles que demonstram sua capacidade em superar suas dificuldades de formação, é importante para um contratante, pois dá a certeza de que você vai enfrentar os desafios da nova posição com determinação e coragem.

Enfim, ao deixar seu currículo pronto para as surpresas que a vida lhe reserva pode ser a diferenca entre enfrentar o novo com maior segurança ou ficar tentando saber quem você realmente é.

Por Maria do Carmo Marini
Executivas & Chiques

O travado e a atirada!

outubro 29th, 2011

o-travado-e-a-atiradaA boa cabeça quer democracia entre os gêneros, mas o tesão não é democrático.

– Sou travado, tímido, não sei seduzir. Na hora de chegar, tenho vontade de sair correndo.
– Sou atirada pra me defender. Se for romântica, eu me fodo.

As duas frases, uma de um amigo e outra da amiga de uma amiga, resumem algo que você talvez já tenha percebido: os homens estão encolhidos, as mulheres estão tomando a iniciativa e uns e outras batem cabeça.
Nada contra a iniciativa feminina do ponto de vista dos tantos espaços públicos e privados que as mulheres têm conquistado nas últimas décadas. Muito pelo contrário. Viva elas!
Nenhum reparo também quanto aos homens enfiarem no saco a viola do velho machismo estilo aiatolá que não tolera crítica ou mudança. Abaixo a Idade Média!
Quando falo em bater cabeça, falo de tesão.
O negócio duro, a calcinha molhada.
Você é uma fêmea. O que te molha?

Um travado como o meu amigo da primeira frase, que não sabe nem o que fazer com as mãos, ou um arlequim com pegada, que te agarre de jeito e te submeta à tua vontade de ser submetida? Prestenção: não tou dizendo que gentileza não conta nem que pegada é sinônimo de grosseria. Falo de energia, de algo decidido pelo corpo e não pelo pensamento. (Procês verem, 97% das entrevistadas numa recente pesquisa sobre o comportamento sexual das brasileiras afirmaram que o que mais as excita é, abre aspas, uma boa pegada, fecha aspas).

Você é um macho. O que te faz ficar com o negócio duro?

A atirada da segunda frase, que deixa de ser quem é pra virar uma caricatura oferecida, ou uma mulher que te põe doidinho porque permite que você dê as cartas que ela escolheu? Outra vez falo de sensação, não de estratégia. Ela escolher as cartas não significa que você é um banana.
O problema (ou a solução) é que a resposta da cabeça não coincide com a do tesão.

A boa cabeça quer democracia entre os gêneros, mas o tesão não é democrático. O tesão delas é yin e se molha com machos pegadores, mesmo que cavalheiros. O tesão deles é yang e endurece com fêmeas que sabem deixar-se conquistar, ainda que eventualmente mordam.

Nestes tempos de homens encolhidos e mulheres tomando a iniciativa, uns e outras batem cocuruto porque o yin e o yang trocaram de lugar.

Na cama o politicamente correto corta o barato de ambos.

Não fosse assim meu amigo deixaria de fugir porque ela se atira e a amiga da minha amiga deixaria de se atirar porque ele foge.
Pergunto não pra sua cabeça, mas pro seu tesão: tou errado?

Por Marco Antonio Beck
Eu & Nós

O que é amar?

outubro 19th, 2011

Casal-FloresEsta é a historia de André… Um homem de uns 35 anos bem casado com Sandra Lucia… Na verdade estas pessoas não existem na história, mas esta é parte da vida normal de cada uma aqui presente para ler… Nós temos muito a aprender na vida, principalmente esta que vos escreve.
Era manhã de quinta-feira quando o André saiu de casa pensando em tudo que tinha em sua vida. Em sua mente passava tudo como um filme e um filme triste… Amava sua esposa, mas ela já não o amava mais… Notava seu jeito rude nass palavras curtas de resposta à suas perguntas, mas ele a amava muito e calado sofria. Até este dia de pensamentos profundos de decisão. Pensou alto: Vou deixá-la ir… Porque a amo de verdade e vê-la sofrer é tortura para mim… Sou homem suficiente para encarar a dor e lutar por mim, vê-la infeliz é tortura minha alma e para a dela.

Muito nobre o coração do André, em vez de sofre por mais tempo e acabar alimentado o ódio de uma vingança sem motivo, como muito fazem por aí em nome do amor e na moral passam a ser perseguidores de uma mulher só por que o amor dela morreu… A violência só traz violência.
André sentiu o seu coração gelar de dor, sabia que a amava muito, mas via o inevitável em sua frente e tortura e torturador não era o seu sonho de felicidade. Pensou alto: Antes que eu venha falar mal dela, antes que eu venha a trair com outra, antes que ela venha fazer o mesmo… foi que chorou um choro calado cujas lágrimas corriam feito de fonte ele parou e pensou alto: Esta decidido eu vou deixá-la ir….

Manhã de sexta-feira… Sandra minha querida eu tenho algo a dizer… De longe a resposta foi fria e unicamente fria. Espero que seja sobre seu carro que esta ruim e sobre seu emprego que vale para por dinheiro dentro de casa, ou sobre que não entendo tuas palavras e etc. Respondeu baixo e com dor no peito e uma pequena mala na mão. Não é nada disso… E com a voz turva e sem conseguir falar, disse: Eu estou indo embora e vou deixá-la ser feliz como queres, e foi saindo devagar na esperança dela gritar seu nome e dizer que o ama ainda, mas ouviu o que já sabia no seu coração… O grito dela bem forte de resposta: Já vai tarde…

Dois anos depois de separado e nada para fazer, resolveu trabalhar nas horas livre por sentir-se torturante ficar só em seu apartamento pequeno. Tinha uma floricultura perto de seu novo lar e que precisava de um ajudante de retirada de caixas de flores, pois eram muito pesadas e a funcionária não dava conta do peso delas.
Na tarde de segunda-feira, André resolveu se oferecer para o trabalho… Bom dia, é aqui precisam de um carregador de flores? A senhora respondeu sem olhar para ele: Sim, é aqui sim, tu queres o emprego?… Resposta imediata: Sim eu quero… Ela o chamou com um gesto para perto e falou: Pois esta contratado e sorriu. Amanhã deves esta aqui às 5 horas, pois as rosas chegam cedo… André balançou a cabeça um pouco tímido…

O dia feliz… Já estava na floricultura faziam dois meses… Quando entrou uma senhora e foi em sua direção com alegria e perguntou: Tua pessoa trabalha aqui? Ele um pouco sem jeito respondeu: Sim trabalho. Ela sorriu e falou: Eu trabalho ali na frente no café… Passa lá para tomar um café e saiu sorrindo, e ele respondeu um sim tímido e sem muitas palavras.

Os amigos… Depois de fazer amizade com todos da rua e do trabalho já não sentia-se tão só… Estava sempre ocupado nos dois trabalhos que tinha e estava feliz, pois a dor já não era tão forte.
A verdade… André com o tempo viu como é amar e renunciar algo por amor de alguém, mas será que fica só nesta historia?… Claro que não… Quando ele passou a sorrir logo um novo amor renasceu dentro dele, pois sorrir traz para quem acha que é infeliz uma nova oportunidade de viver… Eu não sei sorrir ainda, mas quem falou que não posso a prender?…

Por: Luz Gomes da Silva
luzdetirza@ig.com.br

Por que as fantasias sexuais são tão importantes?

outubro 12th, 2011

Mulher-MesaElas liberam a criatividade, permitem a expressão do nosso prazer e, se partilhadas com a pessoa que amamos, podem transformar relações morninhas em deliciosos jogos de sedução.

Quando éramos crianças quem mandava era a imaginação. As dobras do cobertor viravam estradas, preparávamos comida de mentirinha para as bonecas, tinha até amigo imaginário. Depois que crescemos vieram as responsabilidades e a imaginação parece ter mudado de endereço: só conta o razoável, o certinho, o um-mais-um-são-dois, tudo bem pé no chão. Essa seriedade, claro, é necessária em muitas áreas da vida, só que carregada para a cama deixa a relação triste e desanimada como criança que não brinca.

O prazer sexual boceja para o razoável, detesta rotina e seu um-mais-um não tem nada de ciência exata. Ele se alimenta, mais do que tudo, de criatividade. E o espaço para exercê-la é o delicioso – e polêmico – território da fantasia, partilhada ou não. “Polêmico porque muitas mulheres ainda não compreendem a importância da fantasia sexual como estimulante natural do desejo”, observa a psicóloga e terapeuta sexual Rachel Simone Varaschin, do Conselho Deliberativo da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana (SBRASH). “Persiste uma atitude passiva e de autocensura na busca do prazer e, sem perceber, acabamos responsabilizando o parceiro ou parceira pela nossa insatisfação sexual”.

Autocensura, um estraga-prazeres

Na opinião da sex personal trainer Rita Rostirolla, que escuta confissões femininas em suas aulas e palestras, ainda somos vítimas da educação repressora que caracterizou as gerações passadas. “Dar vazão a fantasias mais ousadas, mesmo que só na imaginação, faz a mulher sentir-se vulgar. Elas me perguntam o que eu acho, como se fantasiar fosse algo absurdo e doentio. Respondo que o normal é ter fantasias, que não tê-las deixa a vida cinza e que esse cinza contamina tudo”.
Quando fantasiamos, acontece algo mágico: a imaginação erotiza, abre os canais de expressão da sensualidade, aflora o desejo encoberto pela rotina e nos faz recordar que somos fêmeas, mesmo sendo mães, esposas ou tias. “No mundo da fantasia erótica podemos criar e recriar, tudo é possível, todos os padrões e regras podem ser burlados – e isso não significa necessariamente realizar tais devaneios”, diz Rachel Varaschin. “Na imaginação, aliás, é possível vivenciar sem conseqüências as maiores (e muitas vezes impossíveis) fantasias femininas: ser seduzida por um cara rude mas gostosão (claro) num boteco de beira de estrada, transar em público, ficar com alguém do mesmo sexo, curtir dois homens ao mesmo tempo, ter noites tórridas com astros do cinema ou transar com um desconhecido no elevador”. Para Rachel, todas essas fantasias podem ser partilhadas com o parceiro, dependendo do conteúdo, do entendimento e da cumplicidade do casal.

Querido, tenho uma coisa pra contar…

A comerciante Marisa H., 33, casada, mãe de dois filhos, tinha uma fantasia que poucas revelariam, especialmente ao companheiro. “Uma noite tomei coragem e disse ao Rubens que sonhava ser uma prostituta de rua”, conta. “O coração batia na boca, mas não baixei o olhar e ele achou a idéia o máximo!” Então o casal começou a trocar e-mails para acertar os serviços que Marisa prestaria ao cliente, e o valor. “Ele achou que eu estava brincando quando falei em dinheiro, mas era pra valer”. Produzida, pernocas de fora, bumbum empinado, Marisa rumou para o local do encontro. “Meus joelhos tremiam. E se outro homem me abordasse antes do meu marido? E se algum conhecido passasse ali?” Mas deu tudo certo! Rubens cruzou de carro e levou a “prostituta” para um motel. E ela fez tudo o que ele quis – e que ela também queria. “A química foi perfeita! Ele não parecia o Rubens que eu conhecia e eu certamente estava bem longe da recatada esposa. Deliramos!”
Fantasiar é como tirar minutos de férias todos os dias. “Casais que brincam assim estão, sem perceber, construindo uma relação mais sólida”, observa a psicóloga Rachel Varaschin. “É como se fosse um tijolo a mais naquela estrutura, um segredo só deles”.

Segredos só seus

Mas as fantasias também podem permanecer secretas, como se pertencessem a um acervo particular da imaginação. “Não tem nada de errado em manter a fantasia em segredo já que isso não traz conseqüências e não envolve outras pessoas”, diz a sex personal trainer Rita Rostirolla.

A veterinária Clarisse R., 27, casada, morre de vontade de se entregar ao marido… e ao vizinho. “Queria os dois ao mesmo tempo, muito cúmplices, muito sacanas, abusando de mim”, confessa. “Sei que meu marido jamais concordaria e muito menos penso em insinuar-me para o vizinho, mas fantasiar a cena é uma delícia!”

Por Mariana Viktor
Eu & Nós