Desenvolva a resiliência e dê a volta por cima em sua vida!

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Imagem: Pixabay

Saber lidar com nossa condição humana de sofrimento e mudanças contínuas, é o ponto chave a ser trabalhado para lograr uma vida mais harmoniosa e feliz, pois estamos sujeitos a tudo. Sendo assim, precisamos desenvolver a nossa resiliência. Esta é desenvolvida através de processos dinâmicos de aprendizagem. Supere as adversidades da sua vida transformando-as em aprendizados constantes e otimizando a qualidade do seu viver. Confira os nove passos para seu fortalecimento pessoal e dê a “volta por cima” em sua vida.

A palavra Resiliência, também chamada resilência, é derivada do latim resilientia, do verbo resilio (re + salio) que significa “saltar para trás”, recuperar-se, voltar ao “normal”.

Foi utilizada pela primeira vez pelo físico Thomas Young em 1807 e que a definiu como a capacidade de um objeto, material ou corpo de sofrer pressão ou impacto e, depois, voltar à forma original, não perdendo, deste modo, suas propriedades. Por exemplo, um elástico, uma vara que se verga, uma borracha, etc.

Psicologicamente, a resiliência é a capacidade de psicoadaptação de indivíduos, grupos e/ou de organizações, de voltar ao seu estado “normal” após alguma situação traumática ou crítica, ou seja, é a capacidade de superar adversidades. A resiliência demonstra se uma pessoa sabe ou não “funcionar” bem sob pressão, se sabe superar desafios, ter flexibilidade e postura otimista, com projetos de vida claros e definidos, o que não quer dizer ser irrealista, fantasioso ou “não-efetivo”.

Como dito anteriormente, é uma palavra “emprestada” da Física, mas que não se aplica adequadamente para nós, indivíduos contextualizados, visto que nunca voltamos a ser a mesma pessoa de antes, pois somos atravessados por nossa experiência pessoal e relacional e a esta damos sentido(s) e significado(s).

A resiliência é inata ou adquirida?

Existem pessoas mais resilientes, e outras, menos. Até em irmãos gêmeos neonatos observamos comportamentos diversificados. No entanto, a resiliência psicológica não é inata, mas desenvolvida através de processos dinâmicos de aprendizagem, bem como de nossas escolhas em busca do autoconhecimento, do autoquestionamento e da autoavaliação, da busca de sentido e significado que na maioria das vezes fazemos em momentos de crise e que uma vez superada a dificuldade, saímos de cada experiencia fortalecidos, se tivermos a compreensão dos obstáculos vivenciados e superados e de darmos sentido as dificuldades como oportunidade de mudança e crescimento.

Ser resiliente é muito diferente de ser uma pessoa resistente, ou seja, aquela que suporta a pressão, a crise e os estresses da vida. Ser resiliente é muito mais que suportar as intempéries, é aprender a visualizar a crise como uma oportunidade de crescimento e mudança. Em outras palavras, é “dar a volta por cima”.

Podemos desenvolver a resiliência em nove passos. Vale a pena ressaltar que uma pessoa pode ser mais resiliente em um determinado aspecto da vida, mas em outro, nem tanto. Vale a pena refletir e verificar aqueles que precisam ser desenvolvidos:

1- Aprenda a administrar as emoções: A emoção faz parte do ser humano, ou seja, nao adianta negá-la ou reprimi-la e sim, reagir de maneira harmoniosa e equilibrada diante das situações. Se você não souber administrar as emoções, sua vida pessoal, social e profissional vai ser dificultada. Seja onde for, em casa, com os amigos, ou no trabalho é necessário desenvolver e utilizar sua inteligência emocional.

2- Controle seus impulsos: Este item é ponto crucial e está diretamente relacionado com o anterior. Tenha muito cuidado! Quando tiver uma raiva, respire fundo, pense muitas vezes (conte até 10…conte até 1000). Nunca se esqueça: em um momento de raiva voce pode, por exemplo, destruir sua imagem, um projeto ou uma relação que levou muito tempo para construir. Como disse Friedrich Schiller: “Breve é a loucura e longo o arrependimento.” Seja responsável por suas atitudes, pense e repense antes de tomar uma decisão ou de fazer algo que lhe trará consequências a curto ou longo prazo.

3- Seja otimista: O otimismo é a crença ou perspectiva de um futuro melhor. Acreditar que as coisas irão melhorar, nos fortalece e nos revigora. Não se esqueça que do “fundo do poço” também podemos ver as estrelas, basta olhar para o alto. Mude sua postura, mude de foco, olhe para a frente, visualize e acredite em um futuro melhor e faça por onde.

4- Desenvolva a autoeficácia: A autoeficácia é a utilização de seus recursos internos, a chamada “luz interior”. A autoeficácia anda de mãos dadas com o otimismo e o autoconhecimento.

5- Aprenda a analisar o ambiente: Aprender a analisar o ambiente é verificar através de uma leitura ambiental quais são as contingências ameaçadoras ou de risco e a partir desta leitura, desenvolver estratégias de enfrentamento para estas situações. Muitas vezes, através de uma observação sensível de determinados aspectos, encontramos respostas e soluções para os problemas. Entre em receptividade com o ambiente, desenvolva a sensibilidade e analise-o antes de atuar.

6- Alcançar pessoas: É a busca de auxílio externo, de suporte afetivo e emocional que são provenientes da família e dos grupos de apoio eficazes.

7- Busque um sentido em sua vida: Tenha propósitos, metas e objetivos de vida específicos, faça a vida valer a pena!

8- Desenvolva a empatia: A empatia é a capacidade de compreender a partir da perspectiva do outro, de colocar-se no lugar do outro. O desenvolvimento da empatia melhora substancialmente a qualidade de sua vida e de seus relacionamentos interpessoais.

9- Busque ajuda externa: Gostaria de corroborar aqui uma questão importante: Ninguém é resiliente sozinho; ninguém é autossuficiente. Busque ajuda externa. O ser humano é atravessado pela dimensão pessoal (subjetiva), interpessoal (comunitária), cultural, política e espiritual. O homem foi feito pra viver em comunidade e procurar auxílio e auxiliar, bem como encontrar soluções dentro de um contexto social que beneficie a todos.

Para refletir: Como disse Tim Hansel: “A dor é inevitavel,o sofrimento é opcional”.

Situações críticas de dor e tragédia, como separações, rupturas, conflitos, luto, perdas, decepções, doenças, bem como dos desafios que fazem parte da nossa vida cotidiana, são importantes para o nosso processo de desenvolvimento psíquico e emocional, embora nos tragam sofrimento.

Se você parar neste momento para refletir e enumerar o quanto de dificuldades que já enfrentou em sua vida (e que ainda vai enfrentar) e das vezes que já conseguiu “dar a volta por cima”, e que saiu vitorioso, você acreditará sempre em um “novo amanhã”, em um “recomeçar”, na “luz no fim do túnel”.

Não se vitimize, assuma as rédeas da sua vida! Uma mente tumultuada e atribulada não consegue pensar direito. Confie em si mesmo, confie na vida! A vida vale a pena ser vivida. Erga sua cabeça, tenha fé! Nunca foi dito que não teríamos momentos de dificuldades. E ironicamente, muitas vezes são estas mesmas dificuldades que praguejamos, as que estão disfarçadas em grandes oportunidades as quais não sabemos reconhecê-las, porque aprendemos somente a ver o lado ruim das coisas. Observe as possibilidades a sua volta, não se fixe tanto nos problemas, pois tem coisas que embora queiramos controlar, estas fogem do nosso controle. Então, dê um tempo para que o caos se reorganize. Não entenda isto como uma postura passiva. Faça o que estiver ao seu alcance, faça o que você puder fazer, mas não pretenda ter o controle de tudo, além de impossível, é desgastante.

 

Soraya Rodrigues de Aragão
Psicóloga, Psicotraumatologista, Expert em Medicina Psicossomática e Psicologia da Saúde. Escritora e palestrante. Conselheira terapêutica em violência entre parceiros íntimos capacitada pela Universidade Federal de Santa Catarina. Estudante de Sexologia. Pesquisadora em Transtornos de Ansiedade e especialista em Transtornos de Pânico. Equivalência do curso de Psicologia na Itália, resultando em Mestrado. Especializou-se em Psicotraumatologia pela A.R.P. de Milão e em Medicina Psicossomática e Psicologia da Saúde em Madri. Sócia da Sociedade Italiana de Neuropsicofarmacologia. Autora dos livros Fechamento de ciclo e renascimento - Este é o momento de renovar sua vida; Edições Vieira da Silva, Lisboa, 2016, Supere Desilusões amorosas, Edições Vieira da Silva, Lisboa, 2019 e Liberte-se do Pânico e viva se medo! 2019.

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