‎ A paixão! Valentina é pura paixão!

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Imagem: revivingstars / shutterstock

A loucura é como uma mulher apaixonada (Bíblia Sagrada). Dizem os experts que a paixão pode durar de 3 meses, as mais curtas e até 3 anos, as mais avassaladoras.

Depois disso, ou acaba, ou vira amor para valer. Engraçado ver um sentimento, assim tão abstrato e complexo, ser mensurado com tanta segurança. Eu, tanto por experiência própria, quanto alheia, observadora que sou, tenho cá comigo que nestas coisas de amor, tudo é incerto.

Veja minha amiga Valentina, ela não sabe assegurar se realmente as coisas acontecem de uma maneira insólita com ela, ou vê tudo mais lindo e cor de rosa do que é. Seu olhar pidão de lagoa enluarada, ou de poça deixada pela maré, vê tudo mais lindo e perfeito do que realmente é.

Ama a vida esta mulher, e, consequentemente a vida a ama.

Com esse olhar verde, mas enxergando tudo cor de rosa, Valentina tem o coração debulhado para paixão.

Já disse alguém que a conhece bem, que ela não ama os homens, ela ama o amor. Talvez por isso, os homens passam pela sua vida, mas o amor dentro dela permanece o mesmo. Sempre pronto a ser derramado. Sempre aberto a se derreter diante de palavras sensíveis, de um olhar perscrutador, de mãos que afagam, de lábios sequiosos de beijos. Nada a faz desistir. Nada a demove. Nada a tira de seu eixo. Acredita no amor, e ser tomada por uma paixão, é o que a faz inteira.

Na verdade, para Valentina, a vida só é vivida, quando envolvida na vida de outra vida. Sua memória emocional é de coisas boas. Sempre foi amada. Neste ponto, eu a compreendo bem, Valentina; somos semelhantes!

A paixão a meu ver é meio irracional. Pura emoção, desejo, frio na barriga… sentimento mais físico que outro qualquer.

Seja como for, a paixão, assim como a saudade, dói. Tira a fome, tira o sono, tira o sossego… Mas é bom! Ah! Como é bom este estado maluco que nos toma por inteiro.

Amor sem paixão é planície. Amor com paixão é correnteza louca, levando o rio a bater nas margens, algumas vezes destruindo –a, carregando consigo o que estiver na frente.

Há que se escolher, se é que a vida nos dá esse direito de escolha; que tipo de amor queremos. Valentina é como rio de planalto, de repente despenca feito queda d’água na serra. Aquele fiozinho despencando lá de cima, parece que vai furar a rocha, mas, que nada… ao cair, forma uma límpida e fresca piscina natural, onde se pode boiar tranquilamente.

Sabe que há horas que esta mulher me assusta? Se assusta a mim que a conheço bem, imagine aos homens… São tantas Valentinas numa só que deixa qualquer um fora de órbita. Sempre foi assim. Mas, agora, quando a maturidade a faz mais plena, ela me espanta com suas tiradas, seu jogo de cintura, suas deduções, seu jeito de driblar as aporrinhações.

O que admiro nesta mulher é sua garra em ser feliz. Nada a demove. Não deu como queria? Dane-se! Bola para frente.

A vida é muito curta para se perder tempo chorando o leite derramado, diz pra si mesma. Virar a página, subir cada degrau sem olhar pra baixo para não ter vertigens, convenhamos, não é fácil.

Todavia, ela consegue. Sua lucidez, se estudada, daria tese de doutorado.

Sagaz, percebe o olho do furacão antes que levante o vento.

Quisera ser assim. Quantos quereriam ser metade disso.

Mas ninguém é igual. Somos todos seres humanos. E é isto que nos torna tão singulares, tão diferentes dos nossos iguais. E não é só uma questão de herança genética, só DNA, não. É algo mais profundo. É como a essência de nós mesmas. Valentina tem essa essência de mulher. O arquétipo ancestral que permeia algumas mulheres privilegiadas.

Aquelas que segundo Clarissa Pikola Estés correm com os lobos… esta analogia, só será entendida por quem leu este livro. Desculpem-me.

Como disse o poetinha, a mulher tem de ter qualquer coisa de triste, qualquer coisa que chora, qualquer coisa que sente saudades… Há que ser como a mulher que canta Ivan Lins:… ”quero sua risada mais gostosa, esse seu jeito de achar, que a vida pode ser maravilhosa, sem vergonha de saber como se goza… Ou a mulher de J. Steimbeck (Vinhas da Ira): ”Mulheres são como rio. Atravessam corredeiras, enfrentam redemoinhos, passam por correntezas, seguem em frente!” Ah! Valentina! Se todas fossem iguais a você. Por isso mesmo, você é um sonho! Uma quimera! Só emoção! Você, Valentina, é ficção?

Ercília Pollice
Ercília Ferraz de Arruda Pollice reside em Campinas, é formada em Letras pela USC – Bauru, bacharel em Literatura Portuguesa. Escritora, conta com 10 livros publicados, entre eles livros infantis e juvenis, além de inúmeras crônicas e poemas. Integra a Academia Campineira de Letras e Artes e Academia Bauruense de Letras. Foi indicada para o Prêmio Jabuti pela autoria do livro infanto–juvenil “Só, de vez em quando” da Editora FTD. Ercília também é artista plástica catalogada no Cat. Júlio Lousada. Aquarelista, já realizou dezenas de exposições individuais e coletivas em diversos salões e galerias, inclusive em Paris. Alegre, de bem com a vida, adora relacionar-se. Sua preferência é escrever sobre relacionamentos em todas as áreas e níveis. Também tem uma queda por comentar fatos políticos e suas implicações, sempre com bom humor e alguma ironia. Poeta, fala só do amor. Quando escreve faz pinturas de palavras, sua arma maior. Quando pinta faz poemas de cores. Tem 3 filhos, escreveu vários livros e já plantou centenas de árvores. Agora, é desfrutar os bons momentos que a vida sempre oferece àqueles que tem olhos e ouvidos para ouvir e entender estrelas.

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