O amor em tempo de pandemia

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Imagem: congerdesign / shutterstock

Palavras, o vento leva, eu sei…
Mas há momentos que elas
dão significado ao tempo.

Quando penso em você me alegro.
Quando penso em nós, me preencho.
Como explicar para alguém, se fosse o caso, que pequenos diálogos, quase roubados, consigam afagar um coração aflito, dando significado a um tempo sem tempo.

Sabemos que isto não é nada em relação ao todo.
Todavia, sabemos que, ao mesmo tempo, é muito se comparado ao nada.
É o que temos! É o que sempre teremos para um acalanto diferente.
Sonhar o sonho sonhado (Calderon de La Barca)…
Sonhar um sonho impossível, devaneios, anseios, desejo…

Temos saúde (pelo menos por enquanto).
Temos família para amar e nos dar amor…
Temos casa, conforto, comida farta, amigos…
Temos Deus!
Todavia, penso que queremos e precisamos de um pouco mais .

Um momento fugaz, um gesto de carinho …
Não muito, nem é preciso.
A vida é feita de pequenos bocados – instantes fugidios, valem mais, muitas vezes, que anos vividos.
Pequenos gestos roubados de carinho, um tesão sem toques e sem palavras.
Olhares penetrantes que se cruzam à distância, dizem muito.
São marcas em brasa num coração para vida toda.
E, quando, esses instantes se permitem escapulir do guardado da memória, trazem à tona sorrisos só nossos e nos esquentam a face.

Obrigada por passar essa minha quarentena (de já 60 dias) comigo.
Eu a compartilhei com algumas pessoas.
Contudo, com você foi diferente:
Eu a vivi!
Fim de um outono perturbador.

Ercília Pollice
Ercília Ferraz de Arruda Pollice reside em Campinas, é formada em Letras pela USC – Bauru, bacharel em Literatura Portuguesa. Escritora, conta com 10 livros publicados, entre eles livros infantis e juvenis, além de inúmeras crônicas e poemas. Integra a Academia Campineira de Letras e Artes e Academia Bauruense de Letras. Foi indicada para o Prêmio Jabuti pela autoria do livro infanto–juvenil “Só, de vez em quando” da Editora FTD. Ercília também é artista plástica catalogada no Cat. Júlio Lousada. Aquarelista, já realizou dezenas de exposições individuais e coletivas em diversos salões e galerias, inclusive em Paris. Alegre, de bem com a vida, adora relacionar-se. Sua preferência é escrever sobre relacionamentos em todas as áreas e níveis. Também tem uma queda por comentar fatos políticos e suas implicações, sempre com bom humor e alguma ironia. Poeta, fala só do amor. Quando escreve faz pinturas de palavras, sua arma maior. Quando pinta faz poemas de cores. Tem 3 filhos, escreveu vários livros e já plantou centenas de árvores. Agora, é desfrutar os bons momentos que a vida sempre oferece àqueles que tem olhos e ouvidos para ouvir e entender estrelas.

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