Qual o objetivo de se construir um grupo?

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Imagem: rawpixel / shutterstock

Um tratamento psicológico é indicado quando existe um problema, uma dificuldade ou uma questão a ser mais elaborada. Muitas pessoas pensam apenas em intervenções clínicas e individuais, mas é possível expandir a atuação em busca de resultados também eficazes. Ao longo do tempo, tem se constatado efeitos terapêuticos muito significativos através de intervenções em terapia de grupo.

Trabalhos com grupos têm sido utilizados como instrumentos de extensões, onde conseguimos aplicar e internalizar mecanismos no coletivo que nos auxiliam a praticar necessidades que apenas no particular não conseguiríamos atingir.

Uma questão inicial a ser exercitada é a escuta. Como é difícil pessoas conseguirem ouvir umas às outras sem serem tomadas pela ansiedade, interromper o outro e querer colocar seu ponto de vista antes mesmo do outro finalizar ou concluir um pensamento. Outro fato é a identificação com o que o outro tem a dizer, entender como deve estar sendo difícil para outra pessoa lidar com a situação contada e se colocar em seu lugar.

O ouvir e entender já refletem em uma modificação pessoal de alguns aspectos que podem ser transformados. As mudanças dependem também do querer de cada um. Em grupos, é fácil identificar tipos de personalidades da forma como cada um se põe em uma situação vivenciada coletivamente.

Com o tempo e o fortalecimento de quem escuta, entende e se modifica, traz uma sensação de superação e se torna um exemplo de transformação. No funcionamento de grupos é usualmente utilizado como critério certo tipo de público, o que facilita e favorece as identificações e mudanças.

Construindo

Na construção de um grupo, precisamos compreender qual é o objetivo, o funcionamento que ele terá e o método a ser usado. Nos resultados aparecem interessantes indicadores quantitativos, mas os depoimentos, as mudanças práticas e as expressões que podem ser observadas qualitativamente também enriquecem toda a prática do andamento dos grupos. As mudanças precisam ver evidenciadas por membros de fora, de dentro e inclusive em cada membro com a transformação que trouxe para si.

Espelhar-se em outro é vantajoso no que traz clarificar e organizar pessoas em suas próprias metas, planos e conquistas. No grupo existe a impulsão a mudar, tentar, reconhecer medos, limites e dificuldades e ouvir de outros palavras de incentivo e apoio quando deu certo ou não.

Em alguns casos há o benefício terapêutico de atividades em grupo, mas não se dispensa em muitos casos a técnica individual para questões que precisam ser aprofundadas. O grupo é um instrumento auxiliar que contribui muito para o fortalecimento de pessoas que quando se deparam com situações próximas à sua, conseguem ter outros pontos e perspectivas que impactam em sua estrutura singular.

Marcela Eiras Rubio
Graduada em Psicologia pela Universidade São Marcos, Aprimoramento Profissional em Atendimento Interdisciplinar em Geriatria e Gerontologia pelo IAMSPE (Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual) e pós-graduação em Gestão de Pessoas pelo SENAC. Atuações como psicóloga hospitalar no Programa Melhor em Casa do Hospital Municipal Dr. Moyses Deustch – Mboi Mirim, HGIS (Hospital Geral de Itapecerica da Serra) e HRC (Hospital Regional de Cotia).

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