Com tempo seco, um alerta para sinais do corpo e a importância da hidratação

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Imagem: RyanMcGuire / Shutterstock

A estação mais fria do ano também é a que mais traz perigos para quem sofre com problemas respiratórios. Resfriado, gripe, bronquite, rinite, sinusite e dificuldades respiratórias tornam-se mais frequentes durante o inverno.

Isso acontece porque o frio anda de mãos dadas com a baixa umidade do ar, as mudanças bruscas de temperatura e o aumento da poluição. Fatores que contribuem para elevar a frequência das infecções das vias respiratórias.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a umidade deve estar acima de 60%. Abaixo de 30%, considera-se estado de atenção e entre 19% e 12%, alerta.

Para que as atividades físicas não sejam interrompidas neste período, o educador físico Rafael Oliveira faz um alerta para os sinais do corpo durante o período e destaca a importância da hidratação.

Além disso, traz dicas que podem ajudar a minimizar os efeitos da baixa umidade do ar. Confira abaixo a entrevista com o especialista.

No clima seco, é melhor treinar ao ar livre ou em ambientes fechados?
Rafael – Embora seja mais prazeroso treinar ao ar livre, em dias de tempo seco, quando a umidade relativa do ar está muito baixa, sempre recomendamos treinar em ambientes climatizados. Caso não queira abrir mão das atividades ao ar livre, opte sempre por horários de sol mais ameno, ou seja, antes das 10h e depois das 16h.

Quais são as atividades mais adequadas?
Rafael – Não é a atividade em si que importa, mas onde fazemos, com que duração e qual a intensidade. Mas, optar por atividades em ambientes climatizados, pode ser a melhor escolha nesta época. Fora isso, atividades aquáticas são uma boa opção.

É preciso beber mais água do que normalmente? Quanto?
Rafael – Hidratação é importante o tempo todo, mas nestes períodos ainda mais. Sempre que possível, hidratar-se antes, durante a após as sessões de treinamento. Em relação à quantidade, depende muito da duração e intensidade da modalidade escolhida, mas melhor aumentar em cerca de 20% a 30% do que já se ingere e em pequenas doses (300 ml a 500 ml antes, cerca de 200 ml a 300 ml durante, dependendo da intensidade e duração, e o mínimo de 500 ml após). Ainda é importante ressaltar que, se a modalidade escolhida ultrapassar uma hora de duração e/ou exigir muito devido à intensidade, além da água, devemos repor sais minerais que perdemos com o suor. Isso pode ser feito com bebidas eletrolíticas ou suplementos específicos (recomendados por médicos ou nutricionistas).

Para o iniciante, é um período mais difícil para praticar exercícios?
Rafael – Sim. Quem já tem o hábito de praticar exercícios físicos também sente dificuldades durante o tempo seco, mas adapta-se mais depressa ou sofre menos. Quem está começando deve ter muita cautela e evitar exercícios extenuantes.

Que dicas você, como profissional de Educação Física, daria para os praticantes de exercícios?
Rafael – Primeira e mais importante: procure sempre a orientação de um profissional! Prefiram horários de sol mais ameno, em especial início do dia, quando a umidade relativa do ar ainda está mais alta. Se puder fazer exercícios em ambientes climatizados, prefira. Não espere sentir sede para hidratar-se, crie o hábito de beber água em pequenas quantidades (entre 150 ml e 200 ml) várias vezes ao dia (cerca de dois a três litros por dia).

Quais são os principais erros que o usuário comete com o tempo seco?
Rafael – Um dos principais erros que os praticantes de exercícios físicos cometem durante o período de tempo seco é não diminuir a intensidade e/ou duração do treino. É muito importante também atentar para sinais que o corpo nos manda: cansaço excessivo, mais sede durante as atividades habituais, tontura, boca seca, aumento repentino da frequência cardíaca, sangramentos nasais, dentre outros. Um bom treinador para fazer a periodização correta ou ajuste do treinamento também é fundamental.

Há alguma dica de roupa que pode ajudar na prática dos exercícios?
Rafael – Sempre roupas leves, claras e arejadas. Hoje, existem tecidos tecnológicos específicos para ajudar no controle da temperatura corporal e alguns até com filtros solares. Esses são os mais indicados.

O que fazer para deixar o ambiente mais úmido tanto em casa quanto na academia?
Rafael – Na academia, os ambientes já tendem a ser condicionados e agradáveis. Em casa, sempre bom ter uma bacia ou outro recipiente com água para umidificar o ambiente. O ideal é que deixemos esse recipiente o dia inteiro para que estejamos com a casa sempre umidificada.

Por que a baixa umidade do ar afeta o nosso organismo? Como manter o bem-estar?
Rafael – A umidade baixa geralmente vem associada ao calor intenso (não necessariamente só ao calor, mas é quando é mais preocupante). Ao praticarmos exercícios, naturalmente perdemos água do organismo, principalmente através do suor (uma das funções do suor é umidificar a pele para ajudar no controle da temperatura interna do corpo, que deve estar sempre em torno de 36,5ºC). Com isso, além do risco de desidratação, ainda tendemos a perder água do sangue, que fica mais denso e obriga o coração a trabalhar num ritmo mais acelerado para fazer esse sangue chegar a todo o corpo.


Rafael Oliveira, educador físico da Selfit Academias.

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