Novas famílias

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Imagem: Wokandapix / Shutterstock

Uma das frases mais conhecidas ‘mãe é uma só’, vem avançando nas suas estruturas e modificando seu significado, ao mesmo tempo em que outra frase vem ganhando lugar ‘pai é quem cria’. Isso para dizer que filho precisa sim ser criado, precisa sim ser orientado. Diante disso, se abre espaço para pensar sobre a criação dos laços afetivos nas famílias. O que seria isso?  Atualmente as “Novas famílias” vem quebrando esse formato original para nova formação: dois pais, duas mães.  

A família convencional, aquela com pai e mãe, é lugar de garantia para um bom desenvolvimento emocional? E a família homoparental? Podemos pensar que a família convencional também não é lugar de garantia de bom desenvolvimento emocional, isto quer dizer que uma família convencional pode não ser funcional e uma família não-convencional também. O que vai proporcionar o desenvolvimento salutar é a capacidade que esses pais tem de cuidar e de acompanhar o desabrochar dos filhos em cada etapa em que se encontram.

Diante de inúmeras possibilidades de novas estruturas familiares que observamos na sociedade atual, o que me parece mais adequado indagar seria: como essa família é estruturada? É uma família funcional? Existe um vínculo de pertencimento, há filiação psíquica, dessa criança na família em que está inserida? Por família funcional entende-se ser aquela que proporciona um ambiente acolhedor, que é continente e que a relação entre os membros é pautada no respeito, no carinho e na lealdade. O desenvolvimento emocional vai acontecer na interação entre as características inatas da criança e o ambiente em que ela vive.  A filiação psíquica ou o sentimento de pertencimento, muito mais que a filiação biológica ainda pode ser considerado como fator vital para o desenvolvimento emocional de uma criança

E como é que fica isso no dia-a-dia? Como conversar com a criança acerca de seus questionamentos se ela pertence a uma família homoparental? O que se observa na clínica é que as perguntas e as curiosidades das crianças continuam existindo desde sempre, independente do núcleo familiar a que estão inseridas. É importante pensar que as funções materna e paterna estão presentes em todas as relações seja homoparental ou heterossexual. A criança precisará da noção de verdade de acordo com o que ela pode entender no dado momento. Por noção de verdade entende-se que deve ter sinceridade com a criança explicando a ela como é o modelo de família na qual ela está inserida. O acolhimento da dúvida e a conversa serão os aliados para que as questões sejam abertas e discutidas

Assim como sabemos que o sofrimento é inerente ao ser humano, sabemos também que a felicidade é subjetiva e não daria para garantir felicidade de uma criança num núcleo familiar convencional somente baseado nesse critério.  O que quero dizer é que crianças que possuem um lar funcional, um ambiente salutar, com uma família continente, independente de ser formado por um casal homoparental ou heterossexual, possuem a base para um bom desenvolvimento emocional. Assim, a orientação sexual dos pais não é fator determinante para uma boa parentalidade e sim a qualidade desse vínculo pais e filhos.

Quando se fala em função parental, sabemos que função materna e a função paterna podem ser desempenhadas por ambos os parceiros. É comum notar ainda em relações homoparentais que um ou outro dos parceiros desempenha mais notadamente uma função do que outra.

Família, hoje, ao contrário de antes, não é mais tudo igual, o que ainda deve permanecer e isso para sempre, é que seja, antes de tudo, um núcleo verdadeiro de afetividade. A família se qualifica, hoje, pela diversidade em busca de noção de pertencimento, aceitando a sua variedade de constituição, onde o seu único comprometimento deve ser os laços de afeto, baseados no amor, na criação de autonomia e no respeito, onde a pluralidade afetiva não pode representar uma ameaça a família e nem a educação e  formação dos filhos.


Renata Bento – Psicóloga, especialista em criança, adulto, adolescente e famÍlia. Psicanalista, membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro. Perita em Vara de Família e assistente técnica em processos judiciais. Filiada a IPA – Internacional Psychoanalytical Association, a FEPAL – Federación Psicoanalítica de América Latina e a FEBRAPSI – Federação Brasileira de Psicanálise.

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