O equilíbrio entre os poderes masculino e feminino na liderança

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Imagem: pixel2013 / shutterstock

Mergulhando no desconhecido sobre o equilíbrio entre os poderes masculino e feminino na liderança.

O livro Liderança Shakti, de Nilima Bhat & Raj Sisodia, chegou em minhas mãos pelo Movimento Capitalismo Consciente. Ler esse livro despertou tanta coisa em mim e quebrou alguns modelos mentais instalados. Então foi praticamente natural decidir patrocinar a sua tradução para o português. Lançado no Brasil em fevereiro/2018, ele tem sido fonte e inspiração para diversas palestras e programas de desenvolvimento de líderes. Afinal, sua chamada é sobre o equilíbrio entre os valores masculino e feminino na liderança.

Quando você começa a vibrar e divulgar uma ideia ao mundo, ele te responde de diversas formas. Uns concordam, outros discordam e muitos questionam, aprimoram e contribuem com a evolução da ideia. Foi então que comecei a partir do livro, ir além dele. Me perguntando o que ainda desconheço. E como a vida é cíclica, dois anos depois de seu lançamento me vejo aqui compartilhando algumas reflexões.

Desconheço um mundo onde essas energias estiveram ou estejam equilibradas. Vivemos eras de matriarcado e patriarcado, mas não de equilíbrio. Ora o poder feminino, ora o poder masculino prevaleceu no mundo. Então, o equilíbrio dos dois poderes é desconhecido sim. Um convite, um chamado para uma aventura que promete novos níveis de consciência no mundo. O livro traz alguns pilares essenciais para o exercício desse equilíbrio e é a partir deles que me pergunto (e a você) o que ainda desconhecemos sobre o assunto.

Presença

É sobre estar por inteiro onde se está. Segundo os autores, três coisas nos tiram do estado de presença: quando temos algo a temer, algo a defender ou algo a promover. Deixamos de ser porque deixamos de estar. Porque saímos da consciência do presente para a consciência do passado (defesa) ou do futuro (medo e autopromoção).

Qual o convite ao desconhecido aqui? Quando a humanidade estiver operando na presença, toda experiência que estiver reprimida em nossa consciência (porque estávamos mais focados no passado ou no futuro), terá mais espaço para ser reconhecida, acessada e manifestada? Isso nos dará mais oportunidade de entender o outro e entrar em sintonia com ele? Se sim, o estado coletivo de presença nos permitirá uma comunicação mais autêntica, deixando aos robôs o que é deles?

Plenitude

É sobre o equilíbrio, a integração e união de todas as partes fragmentadas do indivíduo (luz e sombra). É sobre reconhecermos as nossas sombras e aprendermos a integrá-las, lidar com elas sem negação, mas sim trazendo luz. E isso é diferente de dar atenção somente ao nosso lado luz.

Qual o convite ao desconhecido aqui? Quando as nossas sombras puderem ser tratadas como parte da evolução humana e assim deixar de ser motivo de culpa ou vergonha, estaremos mais disponíveis a ajudar e ser ajudado uns pelos outros? A sombra aprisionada pela necessidade de ter razão, sucesso, harmonia, popularidade, heroísmo quando iluminada nos tornará vulneráveis a sermos ajudados, escutados e amparados? Neste cenário, reaprenderemos a sermos humanos, deixando aos robôs o que é deles? O que essa humanização mudará na sociedade e na forma como interagimos?

Flexibilidade

É a capacidade de navegar entre as polaridades das energias masculina e feminina, e estabelecer um equilíbrio dinâmico entre elas. É quando reconhecemos que todos nós temos características, tanto maduras quanto imaturas, das duas energias. E isso é humano – não se trata de gênero. Quando uma característica imatura se manifesta em nós, ela pode ser equilibrada acessando a característica madura da energia oposta. Ou seja, não há equilíbrio atuando apenas em uma das polaridades. Claro que, primeiro é necessário que ambas energias estejam integradas em nós para que então possamos praticar a Flexibilidade.

Qual o convite ao desconhecido aqui? Aprender a buscar equilíbrio dentro de nós e não fora de nós poderá nos livrar da necessidade de anestesiar a dor, o imaturo, o inconsciente em nós? A busca do equilíbrio colocará a humanidade em mais contato com suas emoções e como elas se manifestam no corpo? A auto cura será uma possibilidade quando aprendermos a diferenciar se estamos operando para alimentar nossos medos ou nosso propósito? Seremos assim representantes sociais do divino que há em nós, designando nosso papel ao exercício da cura, e deixando aos robôs o que é deles?

Congruência

É sobre alinhamento das nossas ações com o nosso propósito e valores. É quando reconhecemos nosso porquê na vida e agimos, inspiramos e perseguimos estar em coerência com ele. Afinal, do que adianta termos presença, integrarmos nossas sombras, sermos flexíveis entre nossas energias e não agir em congruência com nosso propósito.

Qual o convite ao desconhecido aqui? Quando você abre mão de acessar o seu propósito não é uma decisão que afeta somente a si mesmo. O agir incoerente com suas intenções e valores cria uma interferência social. Você dará muito mais trabalho aqueles que buscam estar coerentes consigo mesmos e conectados com um propósito do bem para o mundo. Você quer ser interferência ou influência? E sendo todos nós influência, o nível de esforço para evoluir o mundo será menor? A que outros aspectos dedicaremos o esforço da nossa energia humana, deixando aos robôs o que é deles? Isso tudo é o que chamamos de elevação da consciência. Afinal, do que adiantaria tentar resolver os problemas humanos a partir do mesmo nível de consciência em que foram criados?

Trazendo algumas inspirações, para refletir que elevar consciência implica em acabar com a distância entre o que está dentro e o que está fora.
– Jung diz: “Só aquilo que somos realmente tem o poder de curar-nos”.
– Bhat & Sisodia afirmam no livro: “A pessoa que você é, é o líder que você é”.
– Joseph Campbell na idealização da Jornada do Herói: “O privilégio da vida é ser quem você é”.
– “Se percebemos que a vida realmente tem um sentido, percebemos também que somos úteis uns aos outros. Ser um ser humano, é trabalhar por algo além de si mesmo” nos lembra Viktor Frankl.
– “Ser energia é uma dádiva. Ser ignição é uma escolha”, aprendizado de vida – Graziela Merlina.


Graziela Merlina é fundadora da APOENA, idealizadora da Casa Merlina e conselheira deliberativa do Instituto Capitalismo Consciente Brasil. O Instituto Capitalismo Consciente Brasil foi fundado em 2013 para incentivar, inspirar e ajudar empresários, empreendedores e líderes a aplicarem os princípios do capitalismo consciente em suas organizações.  https://www.ccbrasil.cc/

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