Setembro amarelo: Diferentes transtornos mentais podem levar ao suicídio

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Imagem: StockSnap / Shutterstock

O Brasil trava uma batalha contra os transtornos mentais e, principalmente, contra o suicídio há muitos anos. Desde 2015, no entanto, a campanha “Setembro Amarelo”, que reúne governo, entidades, Organizações Não Governamentais, profissionais e pessoas anônimas, foi instituída oficialmente para combater e prevenir que pessoas tirem suas próprias vidas. Apesar de ser um assunto delicado e que exige muita sensibilidade e cuidado, a mídia tem noticiado pesquisas e estudos que mostram números alarmantes, como o aumento do número de jovens em depressão profunda.

O estresse, a falta de dinheiro, as crises no relacionamento, são só algumas das causas que podem levar à depressão. A terapeuta em desenvolvimento pessoal, Gabriela Sayago, explica que nem sempre a depressão é visível. “Alguns problemas como Transtorno Obsessivo Compulsivo, Síndrome do Pânico e Transtorno de Ansiedade Generalizada são mais comuns do que imaginamos e podem levar a uma depressão profunda, já que o convívio pessoal vai diminuindo e a pessoa passa a cada vez mais se sentir só e abandonada, mesmo que esteja rodeada de pessoas”, diz Gabriela.

Não é raro comparar o suicídio a um ato de coragem ou covardia. Para a terapeuta, tirar a própria vida não é nem um nem outro. “O suicídio pode ser considerado um ato desesperado para acabar com uma dor. A suicidologista Karina Fukumitsu cita que é um processo de ‘morrência’, em que a pessoa vai morrendo existencialmente”, minha visão é bastante parecida.

Identificando os sinais

Gabriela explica que alguns sinais podem ser notados, embora a ausência deles não garanta que a pessoa em seu íntimo não tenha uma tendência a tirar a própria vida. “A anedonia, que é a ausência de prazer, quando se mostra latente é um alerta”, explica a especialista.

Frases como “eu preferia estar morto”, “eu não posso fazer nada”, “eu acho que não aguento mais”, “sou um peso na vida das pessoas”, “vou parar de dar trabalho” são algumas das que pessoas costumam dizer antes de cometer um ato suicida, exemplifica.

Como lidar

Seja qual for a doença mental que provoque a intenção suicida, o diálogo é uma ferramenta indispensável. “É fundamental conversar, mostrar disponibilidade, ouvir com atenção, mente aberta e sem julgamentos. O familiar ou amigo que está ouvindo precisa ter em mente que está ali para acolher, não para julgar ou aconselhar”, sugere.

O acompanhamento profissional é outro fator determinante no sucesso do tratamento para a depressão e outras doenças psicológicas. “O primeiro passo pode ser buscar um psiquiatra e um terapeuta. Com uma equipe interdisciplinar que pode incluir até nutricionistas e educadores físicos, a chance de o tratamento ser efetivo é muito maior”.

Gabriela ressalta a importância de procurar serviços de urgência como o SAMU ou um Pronto Socorro, caso note-se que a pessoa está em perigo iminente.

Lutando contra os mitos

Por ser ainda um tabu na sociedade e que demanda muita seriedade e sensibilidade, o suicídio é cercado de mitos. Um deles é o que a pessoa que realmente quer tirar a própria vida não dá sinais, nem avisa. Para Gabriela, acreditar neste mito tem grandes implicações. “Quando alguém dizer qualquer coisa relacionada ao suicídio, ou alguma daquelas frases que citamos, é importante prevenir. É melhor ouvirmos, olhar, acolher e conversar”.

Outras mentiras relacionadas ao suicídio são as que dizem que quem fala que tem essa intenção quer chamar a atenção e que só pessoas muito deprimidas tiram suas vidas “Qualquer um pode fazer isso, seja por um trauma recente, por uma dívida, são tantas as razões, mesmo que aparentemente a pessoa esteja sempre feliz e sorrindo”.

Como lidar

A família e os amigos que passam por essa perda precisam lidar com um luto muito intenso. “Não importa como a pessoa tirou sua vida, é sempre violento e rodeado de tabus. Principalmente, é carregada de ‘porquês’, questões que não têm respostas”, explica Gabriela.

A terapeuta também diz que muitas pessoas se afastam por não saberem lidar com o assunto e falar a respeito. “Pais, mãe, amigos próximos, irmãos, acabam se fechando, se isolando e se sentindo culpados. No entanto, não há culpados, não há fatores específicos. São diversos fatores e muitas vezes difíceis de identificar”, comenta.

Para Gabriela, é fundamental que as pessoas próximas a um evento como esse vivenciem as fases do luto, acolham seus sentimentos e também busquem por ajuda. “Há grupos de apoio para familiares e livros sobre o assunto. Buscar por terapia também pode ser excelente nesse momento”, recomenda a especialista.


Gabriela Sayago é terapeuta em desenvolvimento pessoal, pedagoga, pós-graduada em Neuropedagogia pelo Instituto Saber, especialista em Psicologia Positiva e em Inteligência Emocional. Instagram @gabisayago 

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