400 mulheres se reúnem para falar sobre empreendedorismo feminino em SP

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Evento sobre Empreendedorismo Feminino

Empreendedorismo feminino foi a pauta do 75º Café com Empreendedoras de SP – Edição Especial Mês da Mulher, promovido pela Rede Mulher Empreendedora (RME), na sexta-feira (29/03), em São Paulo.

Cerca de 400 mulheres marcaram presença no encontro, realizado na Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), que contou com a presença de grandes empresárias. Durante três horas, elas puderam participar de palestras, ouvir cases inspiradores e, ainda, contar com a mentoria de grandes especialistas.

Ana Fontes, CEO da RME, abriu o evento falando sobre uma parceria que a Rede firmou com o Google para capacitar 130 mil mulheres empreendedoras até dezembro de 2020. O Google doou US$ 1 milhão para a instituição aplicar a metodologia que desenvolveu para capacitar mulheres em todo o Brasil, no período de dois anos. “É um desafio muito bacana, o projeto já começou e estamos muito honradas por termos sido a instituição escolhida pelo Google para desempenharmos o trabalho. E ele se une a outros projetos que já tocamos, como o Mulher Empreendedora do Itaú, entre outros.”

Ana Fontes CEO da Rede Mulher Empreendedora

Ana também falou que a Rede precisa muito do apoio das empresas para continuar a desempenhar o seu trabalho. “A Rede não cobra anuidade das mulheres que recebem nosso suporte, por isso precisamos de recursos para conseguirmos ajudar cada vez mais mulheres. Hoje, nós contamos com o apoio de empresas para podermos, principalmente, alavancar mais programas de capacitação, que a gente acredita ser muito importante para darmos mais acesso ao mercado e ao crédito para mulheres.”

A segunda a subir ao palco foi Junia Nogueira de Sá, jornalista e consultora de comunicação estratégica e conselheira da RME, que ministrou a palestra “Igualdade e Equidade: porque estamos falando tanto disso hoje em dia”.

Junia falou sobre a importância de se defender a equidade de gêneros. “Quando buscamos por equidade de gênero estamos falando de darmos as mesmas oportunidades para homens e mulheres. É abrir a folha de pagamento de uma empresa, por exemplo, identificar a diferença salarial de homens e mulheres que exercem a mesma função, e igualar o salário de todos.”

Junia Nogueira de Sá

Junia citou sete lições que as mulheres precisam praticar para conquistar seu espaço:

  • Entender o assunto: para fazer mudanças, é preciso ler sobre o assunto, estudar e conversar;
  • Fiscalizar estereótipos de estimação: abolir da sua vida expressões como “Homem não chora”, “Mulheres precisam ser fofinhas”, “Mulher não entende de matemática”. Isso só aumenta a desigualdade e mantém esses vícios da sociedade;
  • Monitorar o ambiente de trabalho: assim é possível identificar e tentar reduzir as diferenças;
  • Trazer mais homens para as discussões: eles precisam entender que participando também vão ganhar;
  • Incentivar as crianças: meninos precisam dividir emoções (homens choram sim) e meninas sabem sim matemática (falar o contrário para uma menina pode desencoraja-la, por exemplo, de ser uma futura astronauta);
  • Acreditar em políticas públicas: precisamos sim participar de movimentos que busquem por melhorias para as classes.

Necessidade pessoal inspirou negócio

Na sequência, a plateia pode ouvir a história da empreendedora Juliana Martins, babá e CEO da Fico com a Cria. A empresária falou sobre as dificuldades que enfrentou na vida até conquistar o seu sucesso profissional. A ideia de criar a companhia surgiu de uma necessidade pessoal dela. “Engravidei cedo, perdi o pai da minha filha quando ela tinha dois meses de vida e precisei ir atrás de emprego para ajudar o meu pai, que nessa época viu a empresa que trabalhou durante anos decretar falência e precisou começar a catar lata na rua para sustentar meu irmão, eu e minha filha.”

A maior dificuldade nessa época, segundo a empresária, foi não contar com uma rede de apoio para ajudá-la a cuidar de sua filha. “As empresas não pensam nas mães das classes C, D e E que precisam trabalhar. Não consegui voltar a estudar, mesmo ganhando bolsa de estudos para cursos que sonhava, e perdi boas oportunidades de trabalho por ser mãe e não ter com quem deixar a minha filha. A ideia de criar a Fico com a Cria é ajudar outras mães a não passarem pelo que eu passei.”

A Fico com a Cria conecta famílias a babás que trabalham com preços acessíveis, possibilitando que famílias de todas as classes tenham acesso a serviços de cuidados infantis com qualidade e segurança em suas regiões.

Aproximadamente 400 mulheres estiveram presentes ao evento

Outra palestrante foi a publicitária Fernanda Nascimento, que falou sobre “Marketing Estratégico”. Em sua exposição, ela explicou as diferenças de comportamento das mídias sociais e deu exemplos sobre a forma mais indicada para abastecer cada uma delas. “As pessoas estão nas redes sociais não para ver o outro, mas para aparecer. É preciso identificar uma forma de colocar seu cliente nesses canais de forma que ele converse com o seu consumidor.”

Segundo ela, conquistar likes e compartilhamentos é positivo, mas é preciso de estratégias para transforma-los em vendas.

Fernanda ressaltou que muitas pessoas têm medo de expor o seu conhecimento em eventos, por achar que outros profissionais possam “roubar suas ideias”. “As pessoas não vão roubar as suas ideias porque não são vocês. Quando emprestamos nossa marca pessoal, precisamos gerar autoridade. Se você não conta para a audiência o que sabe, nunca ela saberá que você é uma autoridade no assunto.”

A última a subir ao palco foi Rúbia Mara, CEO do Abelha Funk, canal de funk. Rúbia ressaltou que é uma das poucas mulheres que não veio do palco, mas da produção que envolve o mercado do funk. Com 23 anos ela criou a Paralelo – a arte de se comunicar, hoje transformada em Evidência Parallela, empresa de comunicação que presta serviços de assessoria de imprensa e marketing para afroempreendedores e artistas do funk. Desde então, realizou vários trabalhos ligados à cultura afro-brasileira e prestou serviços de assessoria de imprensa para a empresa Pestana – Arte Pela Igualdade e Mc”s de Funk, como Mc Kauan.

“Quando acabei o trabalho para o Mc Kauan, ele falou que eu deveria gostar mais do palco, pintar meu cabelo de loiro e ficar mais ‘famosinha’, que seria bom pra mim. Ao ouvir o que ele falou, resolvi entrar de cabeça nesse mercado, pintei meu cabelo de loiro, que mantenho até hoje, virei uma ‘mãe do funk’ e nunca mais fugi do palco.”

Desde então, a empresária vem se dedicando a estudar o consumo desse público e viu que é um mercado bastante promissor, mesmo com todo o preconceito que o cerca. Durante a palestra, ela contou um caso da Oakley. “A empresa viu que as vendas aqui no Brasil cresceram bastante e foram investigar. Descobriram que o aumento do consumo ocorreu na periferia. Lá as pessoas não compram pirata. A graça é comprar o original, mesmo que parcelado em muitas vezes.”

Apostando no potencial do segmento, atualmente Rúbia vem investindo em seu novo projeto, a TV Abelha Funk, canal que mantém na plataforma SOT TV, que é o primeiro canal exclusivo do funk transmitido em uma smart TV. “Me aguarde, Silvo Santos!”, brincou a empresária ao final da sua apresentação.

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