Mulheres no comando do franchising brasileiro

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Executivas contam suas experiências no mercado em redes que as mulheres são maioria à frente das unidades

Elas estão por toda a parte e já mostraram que não há segmento que não possam empreender. Muitas comandam redes inteiras, outras administram a sua própria loja. A conclusão é que “as mulheres estão mais presentes no mercado de franquias e ocupando cargos de CEO, postos estratégicos ou a linha sucessória em grandes companhias”, afirma Fabiana Estrela, diretora de capacitação da Associação Brasileira de Franchising (ABF) e do Grupo Estrela Franquias no Sul do Brasil.

Fabiana diz que a evolução da mulher no segmento é visível. “Apesar de não haver um levantamento oficial sobre o setor há uns três ou quatro anos, nosso dia a dia comprova isso. Vejo muitas mulheres participando ativamente do setor. Na ABF, por exemplo, há representantes femininas na diretoria, nas regionais e, recentemente, conquistamos uma cadeira no conselho, que é ocupada pela Maria Cristina C. da Motta Franco. Tudo isso mostra o crescimento da nossa participação. ”

A diretora, que também está à frente da Caverna do Dino, do Grupo Estrela, diz que a maior parte das franquias da rede é composta por casais, mas com mulheres à frente da operação. Também existem futuras empresárias na linha sucessória.

“As mulheres já foram muito preconceituosas com elas mesmas. Quando viam uma mulher trabalhando, olhavam com desdém e criticavam o abandono da família. Hoje em dia elas perceberam que dá para conciliar a carreira com a vida pessoal e são mais colaborativas umas com as outras. A rede solidária de mulheres vem crescendo a cada dia.”

Ela começou a carreira morando de favor e hoje é dona de um império

Carla Sarni

A empresária Carla Sarni, fundadora da Sorridents Clínicas Odontológicas, já morou de favor na casa de um primo logo que se formou em odontologia, começou a carreira como funcionária em um pequeno consultório em cima de uma padaria na zona leste da capital de São Paulo, e hoje é dona de um império.

Ao comando da holding SaluS – composta pela Sorridents (que popularizou o acesso a tratamento dentário), Sorriden (operadora de convênio odontológico),  Giolaser (clínica de estética que mantém em sociedade com a atriz Giovanna Antonelli), da DocBiz (empresa de treinamento, desenvolvimento e tecnologia na área da saúde) e da Olhar Certo (clínica oftalmologista que virará franquia no meio do ano) –, ela aposta nas mulheres para expandir o seu negócio.

A diretoria do grupo conta com quatro executivas; dos 83 colaboradores, 61 são mulheres. Só na rede Sorridents, das 274 unidades, 194 são franqueadas, e dos 4.500 dentistas, 3.114 são mulheres. “Principalmente nessa última área, a profissão dá muita autonomia para elas, que podem montar a sua agenda conforme a sua necessidade”, diz e acrescenta: “Gostamos da atuação feminina também na área administrativa. Elas são versáteis e desempenham multi papéis ao mesmo tempo”.

Carla conta que acreditava tanto no negócio que convenceu o marido a abandonar a sua carreira no Exército para cursar odontologia e investir na empresa. Depois de construírem 23 unidades próprias da Sorridents, decidiram abrir franquia.

A DocBiz surgiu na sequência depois de a rede enfrentar problemas no seu sistema de gestão. “Nosso software deu tão certo que começamos a ser procurados por outras empresas da área de saúde para comprá-lo.”

Com uma rede de 5 milhões de clientes na Sorridents, logo surgiu a ideia de criar um plano odontológico próprio, dando vida ao Sorriden. E, assim os negócios foram prosperando.

“Sou filha de empreendedora, por isso não senti dificuldades em empreender por ser mulher porque fui criada num ambiente no qual as mulheres são muito fortes. Quando meus pais se separaram, minha mãe fez um curso de cabeleireira para começar a atuar na área, depois abriu uma loja de roupa. Agora ela tem uma loja de móveis usados.”

Curiosidade atrai empreendedoras para o negócio

Claudia Vobeto

Outra executiva, Claudia Vobeto, diretora regional do Centro Oeste da ABF e da rede Majô Beauty Club (antiga Posé), afirma que das 35 unidades da franquia, apenas uma é comandada por homem.

“As mulheres se interessam mais porque ficam curiosas e querem conhecer mais o negócio. Tenho franqueada com mais de uma unidade. A característica mais positiva delas é que gostam de aprender e querem estar em constante evolução. Quando se tornam empreendedoras, cuidam do negócio com mãos de ferro. Muitas, inclusive, impulsionaram um negócio familiar e trazem o marido para trabalhar com elas.”

Claudia diz que é empreendedora desde pequena. “Venho de uma família de empreendedores. Saí do segmento da minha família, que era o de transporte, para investir no setor de beleza. Como executiva e profissional do mercado, identifiquei uma carência muito grande de serviços para essa mulher que não tem tempo e precisa de mobilidade. Com isso criei a rede.”

Afinidade de franqueadas é diferencial

Sylvia Barros

Sylvia de Moraes Barros, dona da The Kids Club, resolveu trazer a rede para o Brasil depois de observar que não havia metodologia para ensinar inglês a crianças pequenas no Brasil. Segundo ela, das 78 unidades, apenas três ou quatro são comandadas por homens.

“Não fazemos uma campanha específica para atrair mulheres, mas sentimos que é o tipo de negócio que elas se identificam mais. Elas gostam de dar aula de inglês, de trabalhar com educação.”

Para a empresária, as mulheres têm um diferencial que agrega valor ao negócio. ”Elas têm mais afinidade com a realidade do negócio já que vão conviver com mães, diretoras pedagógicas.”

Raquel Almeida é franqueada da rede há 19 anos na cidade de Taguatinga Norte (DF). “Sempre gostei de línguas, educação e crianças. Durante muitos anos, além de administrar, eu dava aulas na rede também. Hoje eu só fico na parte administrativa.”

Atualmente Raquel tem duas unidades que juntas atendem 900 alunos.

Outra rede de idiomas, a Experimento Intercâmbio Cultural, tem a empresária Carla Gama no comando, e a maioria das franquias – 80% das 62 lojas – são lideradas por mulheres.

Apesar de ser comandada por um homem, o empresário Luiz Gama, a rede CNA também registra um número maior de mulheres no comando das unidades. 53% (448 escolas) são operadas por mulheres. Entre os colaboradores, 69% (6.273) são mulheres.

De acordo com o empresário, muitas viram no empreendedorismo uma oportunidade para crescer e mostrar potencial no mundo dos negócios.

Linha sucessória é feminina

Andrea Kohlrausch

A empresária Andrea Kohlrausch assumirá o comando da rede Bibi Calçados em abril deste ano. Filha do empresário Marlin Kohlrausch, que atua na empresa há 45 anos, sendo 30 deles como presidente, ela foi indicada pelos diretores e pelo conselho consultivo para ocupar o cargo de presidente.

Atualmente Andreia é responsável pela área de varejo e expansão de franquias da rede. O processo de sucessão começou há sete anos e, desde então, os herdeiros da terceira geração começaram a ser desenvolvidos e capacitados para a sucessão.

Segundo a executiva, a rede tem 110 unidades. Desse total, 51 são comandadas por casais, 23 por mulheres e nove por homens. “Nas franquias administradas por casais, a mulher opera o negócio e o marido entra como investidor. ”

Renata Morais

Outra rede, a Rockfeller Language Center, tem a empresária Renata Morais à frente do negócio. Engenheira de formação, ela ingressou na área depois de fazer dois intercâmbios e seu pai arrendar a unidade de uma franquia de cursos de idiomas para ela tocar.

Renata lembra que ficou encantada com a nova atuação e entrou de cabeça no negócio. Mesmo com toda a sua dedicação, a marca encerrou as atividades de todas as suas unidades dois anos depois. A medida não inibiu a empresária, que decidiu abrir a sua própria escola de idiomas.

Em 2004, surgiu a primeira unidade da Rockfeller Language Center, em São José, na grande Florianópolis (SC). Hoje a rede tem 43 escolas. Desse total, 34 são comandadas por mulheres.

Homens são donos, mas o domínio das redes é delas

Loja O Boticário

Criado pelo empresário Miguel Krigsner, o Grupo O Boticário que engloba as marcas O Boticário, Quem disse, Berenice? Eudora, The Beauty Box, MultiB e Vult, tem, atualmente, 85% dos seus mais de 4 mil pontos de vendas físicos, comandados por mulheres.

A força feminina também está entre colaboradoras e nas vice-presidências do O Boticário.

Para o empresário, o Grupo é uma empresa que entende o público feminino e está muito presente em suas vidas. “Pelos produtos que comercializamos, mas também pela formação de nossa força de trabalho. Desde o começo de nossa história, para que mulheres tenham as mesmas oportunidades que os homens para ascender profissionalmente, sem abdicar de sua vida familiar. ”

Outra rede comandada por homem, o empresário Masami Furuta, mas com mulheres como a maioria das franqueadas é a Kumon.

Atualmente são mais de 1450 unidades em todas as regiões do país. E, 96% delas têm mulheres à frente.

Adriana Auriemo

A empresária Adriana Auriemo fundou a rede Nutty Bavarian em 1996. Atualmente, dos 143 quiosques espalhados por todo o país, metade é comandado por mulheres. No entanto, mesmo que o homem seja o principal nome do negócio, a operação é chefiada por uma mulher.

Quer abrir uma franquia? Confira algumas opções a partir de R$ 23.500

  • CNA

Investimento inicial (inclui taxa de franquia, capital de giro e custo de instalação): de R$ 50 mil a R$ 300 mil

Faturamento médio mensal: a partir de R$ 95 mil

Lucro médio mensal: a partir de R$ 25.500

Prazo de retorno do investimento: em até 36 meses

 

  • Experimento Intercâmbio Cultural

Investimento inicial (inclui taxa de franquia, capital de giro e custo de instalação): a partir de R$ 125 mil

Faturamento médio mensal: a partir de R$ 100 mil

Lucro médio mensal: não divulgado

Prazo de retorno do investimento: em até 48 meses

 

  • Giolaser

Investimento inicial (inclui taxa de franquia, capital de giro e custo de instalação) – de R$ 450 mil a 550 mil

Faturamento médio mensal: R$ 100 mil

Lucro médio mensal: 30% do valor do faturamento (após atingir o ponto de equilíbrio)

Prazo de retorno do investimento: em até 36 meses

 

  • Kumon

Investimento inicial (inclui taxa de franquia, capital de giro e custo de instalação): de R$ 35 mil a R$ 65 mil

Faturamento médio mensal: R$ 27 mil (com 120 alunos matriculados. Porém o valor pode variar de acordo com a região e os custos operacionais da unidade)

Lucro médio mensal: de 20% a 25% do valor do faturamento

Prazo de retorno do investimento: em até 24 meses

 

  • Majô Beauty Club (setor de beleza)

Investimento inicial (valor incluir taxa de franquia, capital de giro e custo de

Instalação): de R$ 180 mil a R$ 270 mil (depende do tamanho da unidade e quantidade de serviços)

Faturamento médio mensal: R$ 60 mil a R$ 120 mil

Lucro médio mensal – em torno de 30%

Prazo de retorno do investimento – em até 34 meses

 

  • Nutty Bavarian

Investimento inicial (inclui capital de giro, custo de instalação e taxa de franquia): R$ 99 mil

Faturamento médio mensal: R$ 42 mil

Lucro médio mensal: em torno de 15%

Prazo de retorno do investimento: em até 18 meses

 

  • O Boticário

Investimento inicial: (inclui taxa de franquia, showroom, capital de giro): R$ 530 mil (loja fit) / R$ 760 mil (loja padrão)

Faturamento médio mensal: a partir de R$ 70 mil (loja fit) / a partir de R$ 100 mil (loja padrão)

Lucro médio mensal: em torno de 15%

Prazo de retorno: em até 36 meses

 

  • Olhar Certo

Investimento inicial (inclui taxa de franquia, capital de giro e custo de instalação): em torno de R$ 500 mil

Faturamento médio mensal: 120 mil

Lucro médio mensal: 20% do valor do faturamento

Prazo de retorno do investimento: em até 36 meses

 

  • Rockfeller Language Center

Investimento inicial (inclui taxa de franquia, capital de giro e custo de instalação): de R$ 95 mil (modelo compacto) a R$ 400 mil (modelo tradicional)  Faturamento médio mensal: R$ 100 mil

Lucro médio mensal: de 25% a 35% do valor do faturamento

Prazo de retorno do investimento: em até 48 meses

 

  • Sorridents

Investimento inicial (inclui taxa de franquia, capital de giro e custo de instalação): de R$ 200 mil a R$ 350 mil (modelo Light para cidades com menos de 100 mil habitantes) e de R$ 450 mil a 600 mil (modelo Máster).

Faturamento médio mensal: em torno de R$ 130 mil

Lucro médio mensal: em torno de 20% do valor do faturamento

Prazo de retorno do investimento: em até 36 meses

 

  • The Kids Club (escola de inglês)

Investimento inicial (inclui taxa de franquia, capital de giro e custo de instalação): R$ 23.500

Faturamento médio mensal: de R$ 8 mil a R$ 10 mil

Lucro médio mensal: em torno de 30%

Prazo de retorno do investimento: em até 24 meses

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