Beleza a qualquer custo

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Imagem: ninaboots / shutterstock

A beleza a qualquer custo, conscientizar sobre procedimentos estéticos nunca foi tão necessário.

“Fazer bonito nas fotos” ou “tirar selfies melhores” são motivo para 55% das intervenções plásticas em 2017, em comparação com 13% em 2013, segundo levantamento da AAFPRS.

Especialistas alertam: as substâncias preenchedoras permanentes como silicone, PMMA ou metacrilato, que são absolutamente sintéticas, não produzidas pelo corpo, podem provocar reações imediatas ou tardias, pois não conseguem ser absorvidas pelo organismo.

A morte da empresária Fernanda do Carmo de Assis, de 29 anos, após a realização de procedimentos estéticos no Rio de Janeiro traz à tona novamente a discussão sobre a responsabilidade na realização de qualquer tipo de procedimento, seja ele cirúrgico ou menos invasivo. Teria sido após receber uma substância para aumentar os glúteos que Fernanda começou a apresentar hematomas no rosto, nos glúteos, dificuldades para respirar e teve complicações gerais que a levaram a óbito.

De acordo com o cirurgião Dr. Marcelo Kyrillos, a busca desenfreada pela “beleza a qualquer custo”, durante a qual pacientes se submetem a procedimentos estéticos em imóveis residenciais, e não em clínicas, sem ter referências do profissional, dos materiais que serão utilizados nos procedimentos e das consequências que podem provocar no organismo tem feito muitas vítimas no Brasil.

Dados da SBCP -Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica- mostram que os procedimentos mais realizados atualmente são os da face como preenchimentos, liftings, e que o número de operações como implantes de silicone e lipoaspiração têm crescido, em média, 10% ao ano no Brasil. Já a Sociedade Brasileira de Odontologia Estética – SBOE – estima que a busca pelas lentes de contato dentais aumentou aproximadamente 300% nos últimos anos.

“As pessoas não podem banalizar os procedimentos. Aparentemente, podem não ser complicados, mas precisam ser realizados por profissionais reconhecidos e ativos em suas sociedades médicas para evitar qualquer problema à saúde”.

Segundo o dermatologista Dr. Alberto Cordeiro, PMMA é uma sigla para polimetilmetacrilato e é um material que tem sido usado para preenchimentos corporais. Ele é um tipo de plástico, apresentado em um formato de microesferas e, por ser um implante definitivo, pode causar complicações, como a formação de nódulos, enrijecimento da região, infecção, alergias, dor crônica, rejeição do organismo.

O uso de preenchimentos temporários, que são feitos com ácido hialurônico. “É muito importante saber a procedência do material, se é compatível com a pele, se é aprovado pela Anvisa para ser usado no país”.

Quando se fala de preenchimento labial especificamente, ele é feito com ácido hialurônico, pois é mais seguro e o material costuma desaparecer depois de 1 ano. Porém, o efeito estimulador de colágeno que ele provoca faz o resultado durar um pouco mais. O produto vai embora, mas deixa o estímulo preenchedor. “Com ácido hialurônico conseguimos ir moldando o lábio à medida que a paciente envelhece com mais harmonia”.

As duas principais contraindicações são para pessoas que possuem alguma doença autoimune, como o lúpus por exemplo, e grávidas. Se o paciente tiver herpes labial e infecções na boca recorrentes ou estiver doente, com pneumonia, ou alguma infecção, ele também não deve realizar o procedimento. “O problema de se colocar uma substância permanente no lábio é que, depois de 10 ou 20 anos, ela pode passar a não fazer mais sentido estando ali, pois a arcada dentária vai mudar de configuração durante esse período, pode acontecer do osso ser absorvido e aquele material não vai conseguir ser absorvido”, explica Cordeiro.

Para a Organização Mundial de Saúde, as pessoas que se sentem infelizes por problemas estéticos normalmente padecem de uma doença chamada baixa autoestima. “Fazer bonito nas fotos” ou “tirar selfies melhores” são motivo para 55% das intervenções plásticas em 2017, em comparação com 13% em 2013, segundo levantamento da Academia Americana de Plástica Facial e Cirurgia Reconstrutiva (AAFPRS). O estudo também identificou que 56% dos cirurgiões pesquisados notaram um aumento no número de clientes com menos de 30 anos de idade.

No Brasil, uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) com 1.612 jovens apontou que fraturas dentárias de grau mais elevado influenciam diretamente na qualidade de vida dos adolescentes e da família deles. Os resultados mostram que jovens com problemas dentários graves relataram maior dificuldade de sorrir e se mostraram preocupados com o que os outros pensavam.

Dr. Kyrillos ressalta que, às vezes, nos deixamos levar pelos diversos procedimentos estéticos disponíveis no mercado e ser influenciados por tantas clínicas que prometem salvar a autoestima, mas a beleza fica melhor quando é responsável e anda junto com a saúde.


Dr. Marcelo Kyrillos é cirurgião e diretor do Grupo Ateliê Oral em São Paulo, composta por profissionais de diversas especialidades, entre eles, o dermatologista Dr. Alberto Cordeiro.

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