A asma na infância e seus mitos

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Imagem: Tojo_5 / Shutterstock

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, 300 milhões de pessoas no mundo possuem asma e são registrados cerca de 250 mil óbitos anualmente.

A asma é uma patologia bastante comum de ser detectada na infância, mas repleta de mitos. Suas causas e reações confundem pais e pacientes. De acordo com a pediatra Dra. Ana Laura Kawasaka, a asma é uma doença séria, que pode levar à morte se não for adequadamente tratada. “Estima-se que 300 milhões de pessoas no mundo tenham asma, sendo 250 mil mortes atribuídas à doença todos os anos, segundo dados da Organização Mundial da Saúde”, indica a médica.

No Brasil, o Ministério da Saúde aponta que cerca de 10% da população tem asma e que a doença é a quarta causa de internações pelo SUS –Sistema Único de Saúde-. “O uso correto das medicações pode evitar internações e complicações, por isso é importante procurar avaliação médica”, complementa a pediatra.

Um fator estimulante de crises aos pacientes com asma é o frio, que atua como irritante das vias aéreas. O uso de ar condicionado também pode desencadear crises, tanto pelo ar frio quanto pela possibilidade de acúmulo de micro-organismos e poeira, se não houver manutenção adequada.

E vale ressaltar, ainda, que a exposição passiva ao cigarro também pode aumentar a frequência e gravidade das crises, especialmente nos pequenos. “Crianças com pais ou cuidadores fumantes têm crises com mais frequência, com maiores riscos de complicações e internações”, afirma a Dra. Ana.

Para esclarecer dúvidas comuns entre os pais, a pediatra elencou uma série de mitos com os quais frequentemente ela se depara durante as consultas.

A asma tem cura.

Mito. A asma é uma condição de inflamação crônica de vias aéreas mesmo quando a criança não está sentindo dificuldade para respirar. A exposição a algum fator desencadeante pode piorar os sintomas, e a condição de base nunca irá desaparecer. Porém, pode ser controlada com medicações. Algumas crianças apresentam melhora das crises conforme crescem, mas elas podem reaparecer a qualquer momento na idade adulta.

Asma é um problema emocional.

Mito. A asma é uma doença pulmonar e, portanto, sua causa está nas vias aéreas. É verdade que os sintomas podem piorar sob estresse, situação mais comum em adultos do que em crianças, mas os mecanismos são fisiológicos e não psicológicos.

Pessoas asmáticas devem usar a medicação só quando têm sintomas, senão ela perde o efeito.

Mito. O problema é que muitas vezes os asmáticos acabam fazendo uso de bombinhas que tratam apenas as crises, sem procurar um médico para avaliar a introdução de medicações que reduzem a inflamação. Com o tempo pode ser que o uso apenas dessas medicações passe a ser inútil, daí a confusão. O uso regular e em dose adequada de medicações anti-asma, conforme prescrição médica, não leva à perda da eficácia ou efeitos adversos e ajuda a evitar crises.

A asma melhora quando o paciente passa a viver em ambientes com clima mais seco e quente.

Mito. Com o uso adequado de medicações e modificações no ambiente, o asmático pode viver bem em qualquer clima. São raros os casos em que alguém precisa mudar de cidade por causa dos sintomas.

Asmáticos não podem fazer atividade física.

Mito. Pelo contrário, crianças asmáticas devem ser encorajadas a fazerem exercícios e esportes para seu benefício físico e mental. Caso haja piora dos sintomas com o exercício, o médico deve ser consultado e a medicação deve ser revista. Também é importante deixar professores cientes da condição da criança para que observe possíveis sintomas.

Bronquite e asma são a mesma coisa.

Mito. O termo bronquite se refere a uma inflamação de vias aéreas. Ela pode ocorrer em doenças crônicas como a asma, mas também em condições transitórias, como uma infecção viral ou bacteriana. Por exemplo, pneumonia ou bronquiolite num bebê. As pessoas convencionaram chamar todo chiado no peito de bronquite, mas nem todo chiado no peito é asma.


Dra. Ana Laura Kawasaka é médica formada pela Universidade Estadual Paulista –UNESP-; pediatra pela Universidade de São Paulo – USP; cardiologista infantil pelo Incor-Universidade de São Paulo; com títulos de especialista em pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria e, em cardiologia infantil, pela Sociedade Brasileira de Cardiologia. Dra. Ana é uma das criadoras do Saúde4Kids O Saúde4Kids é um portal com informações direcionadas especialmente a mamães e papais ou responsáveis pelos cuidados com as crianças nos mais variados aspectos, desde a fase bebê até a adolescência. www.saude4kids.com

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