Gravidez ectópica ainda confunde mulheres

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Imagem: silviarita / Shutterstock

Segundo a FEBRASGO, Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, a gravidez ectópica (fora do útero) acontece em 1% de todas as gestações do mundo, sendo que, dentro deste 1% das ectópicas, a possibilidade de nascer no ovário é de 1%. O risco de mortalidade materna é 90 vezes maior que uma gestação normal e o risco de o bebê falecer é de 95%.

Por ser rara, a gravidez ectópica ainda é uma incógnita para muitas mulheres. Para esclarecer as principais dúvidas sobre essa condição, a Dra. Karina Tafner, ginecologista e obstetra, listou pontos essenciais:

O que é a gravidez ectópica

Em uma gestação normal, um óvulo fertilizado passa pelas trompas de falópio e chega ao útero, local em que se implanta e começa o processo de formação do bebê. Já na gravidez ectópica, o óvulo fertilizado se implanta fora do útero, geralmente nas trompas de falópio. Quando isso acontece, a gestação não evolui, pois não há possibilidade de um embrião se desenvolver nesta região.

Possíveis causas

– Infecção: se uma das trompas de falópio estiver infeccionada, ela pode ficar inteiramente ou parcialmente fechada. Sendo assim, o óvulo fertilizado não consegue chegar ao útero.

– Tecido cicatricial: o óvulo pode ter dificuldade de atravessar a trompa de falópio se o tecido cicatricial de uma infecção ou de uma cirurgia estiver bloqueando o percurso.

– O formato das trompas de falópio: algumas mulheres podem ter um problema congênito nas trompas, como o crescimento acima do comum. Nestes casos, o óvulo fertilizado pode ter dificuldades para chegar ao útero.

Probabilidade de uma gravidez ectópica

– Mulher com mais de 35 anos de idade.

– Histórico de gravidez ectópica anterior.

– Histórico de cirurgia abdominal.

– Histórico de doença pélvica inflamatória.

– Gravidez após laqueadura ou com uso incorreto do DIU.

– Fumante.

– Histórico de endometriose.

Sintomas

É possível notar sintomas diferentes de uma gestação normal, principalmente entre a 4ª e 12ª semanas. Os sintomas são:

– Dor aguda na pélvis, no abdômen ou até nos ombros e no pescoço.

– Sangramento intenso ou leve.

– Desconforto ao urinar ou defecar.

– Fraqueza, tontura ou desmaios.

Diagnóstico

Os seguintes exames solicitados pelo médico podem identificar a gravidez ectópica:

– Exame pélvico para avaliar dor, sensibilidade ou identificar massas no abdômen.

– Ultrassonografia para confirmar se a gestação está desenvolvendo no útero.

– Teste de urina ou de sangue para medir o nível do HCG, hormônio da gravidez. Se estiver abaixo do normal, será necessário investigar uma possível gravidez ectópica.

Tratamento

Envolve a interrupção da gravidez por meio das seguintes opções:

– Medicamento específico para absorção do tecido da gravidez ectópica.

– Cirurgia minimamente invasiva, como uma laparoscopia, para remoção do tecido remanescente da gravidez ectópica e reparação da trompa de falópio afetada.

– Remoção total ou parcial da trompa de falópio, caso tenha havido alargamento ou rompimento.

– Monitoramento médico e checagem do nível de HCG, garantindo que o tecido ectópico tenha sido completamente removido.


Dra. Karina Tafner, ginecologista e obstetra; especialista em Endocrinologia Ginecológica e Reprodução Humana pela Santa Casa (FCMSCSP) e especialista em Reprodução Assistida pela FEBRASGO

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