A prática de sexting entre adolescentes e o papel dos pais

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Imagem: cuncon / shutterstock

Sexting ou nudes, como os pais devem agir sobre esta nova prática entre os adolescentes.

Os jovens de hoje já nasceram com a tecnologia em seu cotidiano; o que pode  ajudar no processo de pesquisa, aprendizado e conhecimento sobre diversos assuntos, mas de forma negativa, pode deturpar a realidade e potencializar um modo superficial, fugaz e vazio de se relacionar, baseado naquilo que veem, acreditam e assimilam como sendo o modelo a ser seguido.

Atualmente tem se observado entre os adolescentes, um aumento da prática de envio e/ou pedidos de fotos, vídeos de nudez ou apenas de partes do corpo; são os chamados nudes ou sexting. Episódios como esse tem ocorrido com frequência e tem sido observado cada vez mais cedo, em idades que antecedem a adolescência entre 10 e 12 anos, às vezes ainda mais precoce.

O termo sexting surgiu da junção entre “sex” (sexo) e “text” (texting) ou, sexo por mensagem de texto. De forma mais ampla significa o envio de fotos, vídeos e áudios de conteúdo erótico e sexual.

Há uma dificuldade, durante a adolescência, em lidar com a sexualidade e com a própria agressividade, ou seja, com tudo o que se sente com a chegada da puberdade. A puberdade é um período compreendido como central, é o palco que será encenado a infância adormecida, é onde se atualiza e acorda conflitos inconscientes dos restos do infantil não elaborados. Nem biologicamente e nem emocionalmente as crianças, mesmo que as vésperas da adolescência, possuem competência para lidar com o mundo adulto. A sexualidade atravessa nossa existência do nascimento até a morte, existe desde sempre.

A interação através das mídias sociais, por um lado possibilita o contato, mas por outro pode alterar significativamente a forma de se relacionar e nesse caso, convoca maior atenção e necessidade de intimidade entre pais e filhos. Crianças e adolescentes que crescem em uma família que a relação é pautada no diálogo, onde falar de sexualidade é algo que faz parte da vida, tem menos chances de enveredar por esses caminhos mais tortuosos. Aprendem desde cedo a respeitar o próprio corpo e o do outro.

Conversar sobre sexualidade em casa ainda é um tabu, principalmente entre pais e filhos (as). Os pais sentem dificuldades em abrir uma conversa sobre o tema, seja porque estão inseguros ou envergonhados, seja porque ignoram que a criança e o adolescente têm sexualidade.

Sexo e sexualidade são assuntos diferentes; sexo é coisa de adulto e sexualidade é coisa de gente. O sexo faz parte e é uma forma de expressar a sexualidade. Assim como o nude e o sexting também podem ser considerados expressão da sexualidade.

Sexo diz respeito a relação sexual, diferente de sexualidade que é um conceito muito mais amplo que engloba prazer, afetividade, corpo, toque, fantasias, atração; a expressão da comunicação verbal e não verbal também, ou seja, o sorriso, o olhar, o jeito. Além disso, outros elementos fazem parte da sexualidade que são: identidade, identidade sexual, gênero, identidade de gênero, e orientação sexual. Reparem como o tema é vasto e necessário ser conversado. É importante falar sobre as modificações corporais, sobre as sensações prazerosas que o corpo nos dá, e principalmente orientar a criança e o adolescente que isso é normal e que faz parte de seu amadurecimento.

Falar sobre sexualidade não é explicar ao filho (a) como é ter uma relação sexual, isso ele (a) saberá fazer quando chegar a hora, e ainda conversa com os amigos (as) sobre o assunto; não é uma conversa erótica ou que erotiza, ao contrário, conversar sobre sexualidade fortalece emocionalmente as crianças e jovens e contribui para o amadurecimento afetivo e intelectual para que não se deixem afetar negativamente por uma erotização desenfreada e vazia para que nessa travessia solitária da adolescência consigam fazer melhores escolhas.


Renata Bento é psicóloga, especialista em criança, adulto, adolescente e família. Psicanalista, membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro. Perita em Vara de Família e assistente técnica em processos judiciais. Filiada a IPA – Internacional Psychoanalytical Association, a FEPAL – Federación Psicoanalítica de América Latina e a FEBRAPSI – Federação Brasileira de Psicanálise.

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