Câncer x fertilidade masculina

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Imagem: Alexas_Fotos / Shutterstock

De que forma os tumores e os próprios tratamentos para combatê-los podem interferir na fertilidade do homem.

Não é mais novidade que o ator Reinaldo Gianechini, de 45 anos, resolveu se tornar pai através da inseminação artificial. Ao ser diagnosticado com um tipo raro de câncer (linfoma não Hodgkin), em 2011, o ator congelou seu sêmen, pois sabia que seria submetido a um tratamento agressivo e poderia ficar infértil.

De fato, ele tinha razão. De acordo com o médico urologista Dr. César Milton Marinelli, a maioria dos tumores podem deixar o homem infértil, seja por afetar as células localizadas nos testículos ou favorecer a um descontrole hormonal, que impactará na produção de espermatozoides, ou ainda pela ação das drogas utilizadas nos tratamentos, como quimioterapia, hormônio-terapia e radioterapia.

“A quimioterapia, que é um dos tratamentos mais agressivos, pode levar à diminuição das células precursoras de espermatozoides, além de causar alterações nos mecanismos intra-testiculares da produção de esperma, levando à infertilidade temporária ou permanente”.

Mas, dependendo do tratamento, o homem pode voltar a produzir espermatozoides espontaneamente e se tornar pai sem precisar recorrer à reprodução assistida, porém não se pode predizer com exatidão em quais homens isso pode acontecer. “Cada um reage de uma forma”.

Em pesquisas recentes, apresentadas nos últimos eventos de reprodução humana, sabemos que a idade do homem também pode impactar na qualidade e quantidade do esperma, podendo interferir nas chances de se tornar pai. No 34º Congresso Europeu de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE2018), que aconteceu em julho deste ano, foi revelado que há uma queda progressiva na fertilidade do homem a partir dos 35 anos de idade. Estudos apresentados no Congresso também demonstraram que, quanto mais velho é o homem, mais fragmentado é o DNA dos espermatozoides, aumentando o risco de aborto espontâneo ou graves problemas de saúde e desenvolvimento do bebê, entre eles o autismo.

A coleta prévia ou o congelamento do sêmen pode ser uma boa alternativa para os homens que ainda não sabem se querem ser pais até os 35 anos, mas com ressalva: “O método não é indicado de forma rotineira, salvo alguma doença que possa comprometer a fertilidade”.

Como acontece o congelamento de sêmen

A coleta do esperma é feita em hospitais e clínicas de reprodução humana, por meio da masturbação masculina, mas existem casos em que pode ser realizada por cirurgia. Após a coleta é feita a análise seminal, que verifica a saúde dos gametas. Estando dentro dos parâmetros, o material é armazenado por meio da técnica de criopreservação – processo de congelamento do material em nitrogênio líquido a 196 ºC, o que permite seu uso no futuro em processos de reprodução humana assistida, como a Fertilização In Vitro ou a Inseminação Artificial.


Dr. César Milton Marinelli é médico urologista, especialista em medicina preventiva e transplante renal da Genics Medicina Reprodutiva. Com apenas oito anos de existência, tornou-se referência em tratamentos para casais que apresentam dificuldades para engravidar.

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